Julho é um mês verde para o BTC, mas não basta repetir o passado

Se você olhar os dados históricos, julho parece um mês mágico para o Bitcoin.

Desde 2013, em todos os anos pós-halving com ciclos de liquidez em expansão, o BTC fechou julho em alta.

Coincidência?

Talvez não…

A combinação entre estímulo monetário e fluxo especulativo costuma favorecer ativos como o BTC, especialmente quando o mercado ainda não está saturado de alavancagem.

A narrativa se reforça com um segundo dado: o S&P 500, principal índice do mercado americano, também costuma ter performance positiva nesse período, ou seja, o “julho otimista” não é só coisa de cripto.

Existe uma tendência mais ampla no sistema financeiro global.

Mas antes de sair empolgado abrindo long com alavancagem, vale lembrar de uma coisa: 2024 não seguiu o roteiro dos ciclos anteriores.

O fluxo de liquidez global, que costuma ser o motor desse tipo de movimento, foi interrompido.

Motivo?

Pressões inflacionárias, tarifas inesperadas e a incerteza sobre o ritmo dos bancos centrais, especialmente nos EUA.

Muitos acreditam que o verdadeiro pico de mercado pode acontecer só em 2026, e não no pós-halving de 2025, como se esperava.

O ponto é que os dados históricos ajudam, mas não são bússola suficiente num mercado com variáveis novas a cada trimestre.🖖👇

A força está no atraso: DXY em queda, BTC na tabela

Entre todos os indicadores macro que impactam o preço do Bitcoin, poucos têm uma correlação tão clara quanto o DXY, e já falamos dele por aqui, o índice que mede a força do dólar americano frente a outras moedas.

Quando o DXY cai, o BTC sobe. Mas não de imediato…

Historicamente, existe um atraso de cerca de 3 meses entre um movimento forte no dólar e a reação do mercado cripto.

E aqui está o dado relevante é que o DXY teve o pior primeiro semestre dos últimos 40 anos.

Uma queda acentuada como essa, combinada com o aumento da liquidez global, costuma preparar o terreno para um ciclo de alta em ativos de risco, o que inclui, obviamente, o Bitcoin.

Se esse padrão se repetir, isso colocaria o terceiro trimestre (agosto a outubro) como um dos períodos mais favoráveis para o BTC, e posteriormente, o mercado cripto, desde o início do ciclo atual.

Mas aqui vai o alerta, é que o mercado já precificou parte disso.

Com os fundos macro, os traders institucionais e até os ETFs de olho no DXY, o simples fato de ele estar em queda não é garantia de que o BTC vai continuar subindo com força.

A leitura correta não é “o dólar caiu, logo o BTC vai explodir”.

A leitura é: o cenário macro está abrindo espaço para que o BTC suba, claro, se nenhum outro fator travar esse movimento.

A liquidez voltou a subir e isso importa mais do que o hype

Enquanto muita gente olha para gráficos ou notícias de ETF, o que realmente move o Bitcoin no longo prazo é algo mais básico: liquidez.

Liquidez é um dos fatores mais importantes.

Quando há mais dinheiro circulando no sistema financeiro global, ativos de risco como o BTC tendem a se beneficiar.

A explicação é simples: com mais capital disponível, aumenta o apetite por retorno, e os investidores assumem mais risco para buscá-lo.

A boa notícia? A liquidez global está subindo.

A má? Ela não está vindo dos EUA.

O Federal Reserve ainda está em modo cauteloso. Mas outros países — principalmente da Ásia — vêm afrouxando suas condições monetárias. O resultado é que o fluxo global de liquidez voltou a crescer em 2024, mesmo sem a ajuda direta do banco central mais poderoso do mundo.

Se o padrão se mantiver, o impacto positivo tende a chegar ao mercado cripto com um atraso natural — o famoso delay de 2 a 3 meses.

Mas aqui está o ponto: essa liquidez ainda é frágil.
Ela pode mudar rapidamente por conta de política fiscal, novas tensões geopolíticas ou mudanças no comportamento dos bancos centrais.

Ou seja, o cenário está favorável, sim. Mas basear toda uma estratégia na expectativa de que a liquidez continuará subindo sem interrupções é correr no escuro.

Crescimento global está reagindo e isso favorece ativos voláteis

Se a liquidez é o combustível, o crescimento global é o cenário de fundo. E ele finalmente começou a mostrar sinais de vida.

O Global Economic Index (GEI), uma métrica agregada que acompanha a saúde da economia mundial entrou em trajetória de alta. Isso é relevante porque historicamente, movimentos consistentes no GEI antecedem ciclos positivos para o Bitcoin.

O motivo é simples: quando o mundo cresce, os investidores saem da defensiva. O apetite por risco aumenta, e o capital começa a buscar retornos fora dos ativos mais conservadores.

Com a percepção de que o pior ficou pra trás, há espaço para que fundos e indivíduos reavaliem suas alocações em ativos como BTC.

Mas aqui vem o ponto de atenção: o crescimento ainda é desigual e instável. Enquanto alguns países mostram recuperação sólida, outros ainda enfrentam inflação, recessão técnica ou incerteza política.

É por isso que o otimismo precisa ser calibrado.

A macroeconomia está mandando sinais positivos, sim! Mas não estamos em um ciclo de expansão plena como 2020–2021. Estamos em um ensaio. E ensaios ainda podem ser interrompidos.

Otimismo, sim, ingenuidade não

Os dados estão aí: dólar fraco, liquidez em alta, economia global reagindo.

A tese para um rali do Bitcoin no terceiro trimestre tem base real. E depois de um primeiro semestre mais técnico e lateral, talvez estejamos prestes a ver uma retomada mais agressiva.

Mas o mercado já errou antes.

A pior armadilha agora não é o medo. É o excesso de confiança.

Achar que a história vai se repetir exatamente como nos ciclos passados é ignorar o contexto novo de política monetária fragmentada, regulamentação em evolução e players institucionais mais presentes (e mais cautelosos).

Julho pode ser verde. Agosto, explosivo.

Mas só sobrevive quem conseguir ler os sinais e ajustar a rota sem se apaixonar pela narrativa.

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