Você pode acompanhar o preço do Bitcoin, os juros nos EUA ou até o halving…

Mas se ignora o comportamento do dólar, está perdendo a peça central do quebra-cabeça…

E estamos falando do DXY, que é um índice que mede a força do dólar em relação a outras moedas, ou seja, é, na prática, um dos melhores indicadores antecedentes dos ciclos de mercado.

E, não é exagero: quando o dólar cai, ativos de risco como Bitcoin, ações e até commodities tendem a subir. Quando sobe, o efeito é o contrário.

Essa relação não é nova, nem teórica. É prática e visível nos gráficos.

Os grandes bull markets do Bitcoin, por exemplo, sempre aconteceram em períodos de enfraquecimento do dólar. Já os bear markets tendem a surgir quando o DXY se fortalece.

Neste conteúdo, vamos entender por que isso acontece, qual o impacto nos mercados e o que o movimento recente do dólar pode estar sinalizando para os próximos meses.

Vamos nessa? 🖖👇

Por que o dólar é tão importante para os mercados?

O dólar não é apenas a moeda dos Estados Unidos, ele é a espinha dorsal do sistema financeiro global.

Mais de 60% da dívida mundial e mais de 50% das transações comerciais são denominadas em dólares.

Isso significa que praticamente todos os países, empresas e bancos do mundo têm alguma dependência direta ou indireta da moeda americana.

Quando o dólar se fortalece, essas dívidas e compromissos se tornam mais caros para quem está fora dos EUA. Isso aperta a liquidez global: sobra menos dinheiro para investir, consumir ou arriscar.

Já quando o dólar enfraquece, o cenário se inverte: há mais espaço para crédito, mais fluxo em mercados emergentes e maior disposição para alocar capital em ativos de risco como Bitcoin, ações e até imóveis.

Além disso, mais de 40% da receita das empresas do S&P 500 vem do exterior.

Um dólar mais fraco aumenta o valor dessas receitas em termos nominais, o que tende a impulsionar os lucros e, por consequência, os preços das ações americanas.

Ou seja: a direção do dólar dita o ritmo do mercado. Ele funciona como um verdadeiro “índice de condições financeiras globais”, afetando liquidez, apetite por risco e desempenho dos ativos.

O que está acontecendo com o dólar agora?

Desde o início de 2025, o dólar vem passando por uma desvalorização significativa.

É uma das maiores quedas em tão curto prazo nas últimas duas décadas.

Uma queda dessa magnitude em tão poucos meses é rara e costuma indicar mudanças estruturais ou intervenções discretas no mercado.

A pergunta é: isso foi um movimento natural ou está sendo, de certa forma, induzido?

Enquanto alguns apontam para o fim do ciclo de alta de juros nos EUA, outros enxergam sinais de uma possível estratégia velada de enfraquecimento do dólar para tornar a indústria americana mais competitiva no exterior.

Independentemente da causa, os efeitos desse enfraquecimento já começaram a se espalhar e isso muda tudo para ativos como Bitcoin, criptos e até o ouro.

Como o dólar influencia Bitcoin, criptos e até o ouro?

A relação entre o dólar e os mercados de risco é mais forte do que parece.

Historicamente, uma queda no índice DXY (que mede a força do dólar frente a outras moedas) costuma coincidir com a valorização de ativos como cripto, ações americanas e até ouro, cada um com seus próprios prazos e dinâmicas.

No caso do Bitcoin, a correlação é especialmente clara. Os principais ciclos de alta aconteceram justamente quando o dólar estava em tendência de enfraquecimento.

A relação tem um atraso médio de três meses: quando o DXY cai, o preço do BTC tende a subir pouco tempo depois.

Nas ações americanas, o padrão também aparece, embora com variações maiores.

Um dólar mais fraco melhora os lucros das empresas com receita internacional e torna os produtos americanos mais competitivos no exterior, o que impulsiona os índices acionários.

Já o ouro, diferentemente do Bitcoin, costuma reagir imediatamente. Ele tende a subir assim que o dólar enfraquece e cair assim que o dólar se fortalece. Ou seja, o ouro geralmente “anda primeiro”.

Essas dinâmicas ajudam a entender por que o dólar é visto como um indicador antecipado dos mercados e por que sua tendência atual importa tanto para o que vem pela frente.

O dólar está sendo enfraquecido propositalmente?

A ideia de que o enfraquecimento do dólar seria intencional não é nova, mas está ganhando força novamente. E há razões para isso.

Um dólar mais fraco torna os produtos americanos mais baratos no exterior, o que favorece a indústria local e melhora a competitividade global.

Isso combina com a agenda industrial defendida por setores políticos nos EUA, especialmente sob governos com viés protecionista, como foi o de Trump e pode voltar a ser.

Além disso, um dólar enfraquecido estimula os mercados de risco, algo que pode interessar indiretamente tanto ao governo quanto a grandes players institucionais, especialmente em um momento de desaceleração econômica.

Mesmo sem confirmações oficiais, os sinais se acumulam.

Alguns movimentos “estranhos” em moedas asiáticas, como o iene, e a confirmação de reuniões bilaterais sobre câmbio entre Japão e EUA no G7 levantam suspeitas sobre uma possível coordenação global.

Nada está explícito. Mas os bastidores do mercado sugerem que o dólar pode estar sendo usado como peça estratégica, e isso deve estar no radar de qualquer investidor.

O que esperar a seguir (e como isso impacta sua carteira)

Se a correlação histórica se mantiver, a queda recente do DXY pode estar antecipando um novo ciclo de valorização para ativos de risco, incluindo Bitcoin, ações e outras criptos.

Ouro, por sua vez, já precificou grande parte desse movimento e pode entrar numa fase de consolidação.

O mercado, claro, não é previsível. Mas entender como o dólar se comporta permite agir com mais estratégia e menos reatividade.

Se o dólar continuar enfraquecendo, o cenário mais provável é:

  • Valorização de ativos de risco no curto a médio prazo (3 a 6 meses)

  • Aumento da liquidez global, beneficiando projetos cripto com tração

  • Nova entrada de capital estrangeiro em mercados emergentes e tecnologia

Por outro lado, se o dólar reverter e voltar a subir:

  • Pode ser um sinal de alerta para uma correção nos mercados

  • Pressão maior sobre ativos altamente voláteis, como altcoins

A história mostra que o DXY não apenas reage ao mercado. Ele o lidera, de certo modo. E, quem entende isso, se posiciona antes.

A hora de agir é quando tudo ainda parece calmo.

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