Alguns mudam vidas. Outros mal pagam um café. E alguns… deixam só frustração.

O mais recente exemplo foi o da Linea, que prometeu “um dos maiores airdrops da Ethereum”.

Na prática?

O processo foi caótico, a comunidade ficou irritada e o token despencou mais de 90% em poucas horas, mesmo com listagens de peso em Binance, Bybit e OKX.

Esse contraste é a essência dos airdrops: recompensa, mas sempre com riscos de execução e percepção.

E entender como eles funcionam ajuda a responder a pergunta central: afinal, airdrops realmente valem a pena? 🖖👇

Mas antes, me responde uma coisa:

Você já ganhou algum Airdrop?

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1. O que é airdrop?

Basicamente um projeto distribui tokens de graça para quem usou cedo sua rede, testou apps, adicionou liquidez ou simplesmente esteve presente antes do hype.

É uma forma de movimentar a usabilidade dos ativos.

Não é caridade. É estratégia.

  • Marketing: nada gera buzz como “dinheiro grátis”.

  • Descentralização: espalhar tokens por milhares de carteiras ajuda a dar legitimidade.

  • Liquidez inicial: quando o token começa a ser negociado, já existe uma base de holders.

Na prática, funciona assim:

  1. O projeto tira um snapshot da atividade on-chain (quem usou, quanto movimentou, há quanto tempo).

  2. Define critérios de elegibilidade.

  3. Distribui tokens proporcionais a essa atividade.

E a partir disso é possível tirar algumas conclusões:

  • Para os usuários, pode ser uma surpresa boa (às vezes, muito boa).

  • Para o projeto, é uma forma de comprar comunidade e atenção antes de enfrentar o mercado aberto.

Mas existe sempre o outro lado: quanto mais gente recebe, mais gente também pode vender imediatamente e é aí que mora a volatilidade e o risco do token.

2. A lógica por trás dos airdrops

Por que projetos “dão dinheiro de graça”?

A resposta curta: não dão. Investem.

Um airdrop é um custo de aquisição de usuários. Em vez de gastar milhões em anúncios, o projeto entrega tokens para quem já está usando sua rede. É marketing direto, na veia.

Fora que com um aumento de usabilidade, gera mais receita, e nem todo mundo vai conseguir ganhar, claro, e é uma forma de puxar atenção para projetos que tragam resoluções reais para dores que existam no mercado.

Mas tem mais camadas:

  • Governança distribuída: pulverizar tokens significa criar milhares de pequenos votantes em vez de concentrar poder em VCs.

  • Defesa contra manipulação: com mais holders, fica mais difícil um grupo pequeno controlar preço.

  • Narrativa: airdrops criam histórias. “Ganhei tokens da Uniswap que pagaram meu aluguel por um ano” virou lenda no setor.

O paradoxo é que o mesmo mecanismo que engaja a comunidade também gera pressão vendedora imediata.

Quando o token chega às corretoras, muitos holders veem a oportunidade de “realizar”.

Foi exatamente o que vimos na Linea: o hype virou oferta no book, e o preço despencou.

No fim, a lógica é simples:

  • Para o projeto, o airdrop é marketing + descentralização.

  • Para o usuário, é recompensa + oportunidade.

  • Para o mercado, é volatilidade garantida.

3. O caso Linea: do hype à frustração

O airdrop da Linea era aguardado como um marco: um dos maiores da Ethereum nos últimos anos.

Foram distribuídos mais de 9 bilhões de tokens para cerca de 749 mil carteiras, sem incluir VCs, equipe ou advisors.

A proposta era clara “um experimento para a comunidade”.

Na prática, a execução foi desastrosa.

O sequenciador travou pouco antes do lançamento, atrasando o evento.

A rede congestionou, taxas dispararam, e o contrato de airdrop foi implantado com quase 50 minutos de atraso.

Enquanto isso, usuários de grandes exchanges como a Binance já recebiam e vendiam tokens imediatamente…

O impacto foi brutal: após listar em Binance, Bybit e OKX, o LINEA saiu de US$ 0,03 para US$ 0,046… e então desabou. Em poucas horas, caiu mais de 90%, apagando a maior parte dos ganhos iniciais e deixando a comunidade decepcionada.

No fim, a Linea conseguiu visibilidade e manteve um TVL de US$ 1,4 bilhões, mas pagou um preço alto em termos de confiança.

O que era para ser um movimento de fortalecimento comunitário virou exemplo de como um airdrop mal executado pode manchar a narrativa.

Entretanto, nossa comunidade não deixou de faturar, tivemos resultados de 10 dólares, até mesmo 3 mil reais

+- R$700,00

+- R$2700,00

4. A reação da comunidade

Se o objetivo era conquistar usuários, o efeito foi o contrário.

A comunidade se sentiu deixada de lado logo no lançamento. E é por isso que temos que ter cuidado na hora de confiar tanto em airdrops e existem outras alternativas, como a renda passiva:

Nas redes sociais e até na nossa comunidade, o clima foi de frustração.

Muitos resumiram a sensação em uma frase: “Quem ganhou não foi a comunidade, foram as corretoras e a linea.”

A promessa de distribuição acabou soando como privilégio para poucos.

O preço despencando mais de 90% só reforçou a narrativa de desorganização. Para alguns, foi oportunidade rápida de lucro.

Para a maioria, ficou a impressão de um airdrop injusto e mal executado.

5. A lição por trás dos airdrops

O airdrop da linea deixou claro: não basta jogar tokens no mercado…

O que até já deveria ser claro, mas infelizmente, ainda acontece muito!

A forma como a distribuição acontece pode definir se um projeto ganha em legitimidade ou perde em credibilidade.

Quando bem executados, airdrops viram marcos históricos.

O da Uniswap em 2020 criou lendas de usuários que receberam milhares de dólares por terem usado a plataforma cedo.

O da Arbitrum ajudou a consolidar sua base de governança. Esses casos mostraram como a recompensa pode se transformar em fidelidade.

Quando mal conduzidos, porém, o efeito é o oposto.

O caso Linea mostrou como atrasos técnicos, percepção de favorecimento a exchanges e um colapso imediato de preço transformam uma festa comunitária em frustração coletiva.

A lição é simples: airdrops são mais que marketing.

São testes de confiança.

Se o usuário sente que foi tratado como parte do experimento — e não como prioridade, a recompensa perde valor. E um projeto que deveria sair fortalecido pode acabar saindo menor.

Mas isso não faz com que não a gente não tenha bons projetos futuros, somente que existem projetos ruins… Normal.

👀 Você já ganhou algum airdrop?

A pergunta do assunto retorna.

A realidade é bem mais complexa do que a ideia. Os airdrops podem ser um gesto de gratidão, uma estratégia de marketing ou um teste de confiança e às vezes, tudo isso ao mesmo tempo.

A Linea mostrou o lado mais frágil desse modelo.

Um dos maiores airdrops da Ethereum virou polêmica: atrasos, percepção de favorecimento e uma queda de preço de mais de 90%…

Isso não significa que os airdrops deixaram de ter valor.

Pelo contrário: quando bem feitos, marcam a história do setor e criam comunidades leais e na nossa comunidade sempre estamos atentos e tentando estar um passo a frente de bons projetos.

Mas quando mal executados, revelam o quanto a percepção da comunidade é o ativo mais importante de um projeto.

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