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Por que você provavelmente não seria um milionário do Bitcoin com US$ 1 em 2010

A história do “se eu tivesse comprado Bitcoin em 2010” é uma das narrativas mais repetidas do mercado.

Ela parece simples, quase matemática:

  • “US$ 1 comprava centenas de BTC.

  • Hoje isso valeria milhões…

  • Logo, bastava ter comprado cedo.”

O problema é que essa conta ignora tudo o que acontece entre o ponto A e o ponto B, e, é exatamente nesse “meio do caminho” que quase todo mundo teria perdido, vendido ou algo nesse sentido, venha ver. 👇

O mito do milionário viajante do tempo

A fantasia funciona porque ela elimina três variáveis fundamentais:

  1. Tempo real (anos, não gráficos);

  2. Emoção humana;

  3. Risco operacional.

Em 2010, o Bitcoin não era um “ativo promissor”. Era um experimento obscuro, usado por desenvolvedores, curiosos e fóruns de nicho.

  • Não havia narrativa de “reserva de valor”.

  • Não havia ETF.

  • Não havia custódia institucional.

  • Não havia ninguém garantindo que aquilo sobreviveria.

Comprar não era somente uma prova de coragem, mas exigia algo muito mais raro, confiar no ativo e no seu valor.

O preço teria te testado muito antes de te enriquecer

Quando as pessoas olham o gráfico do Bitcoin hoje, elas veem uma curva ascendente.

O que elas esquecem é que essa curva foi construída com quedas violentas, repetidas e emocionalmente devastadoras.

Vamos olhar o mesmo “US$ 1 em BTC” ao longo do tempo, não no topo, mas no caminho:

  • 2011

    Seu US$ 1 vira quase US$ 10.000. Em seguida, cai mais de 90%.

    Você acabou de viver sua primeira grande tentação de vender… e sua primeira humilhação de não ter vendido.

  • 2013

    O Bitcoin explode de novo. Agora o valor já paga carro, casa, mudança de vida.

    Logo depois, cai brutalmente.

    Quem segura isso sem vender nada?

  • 2014–2015 (Mt. Gox)

    A maior exchange do mundo quebra.

    Manchetes falam em fraude, morte do Bitcoin, fim do experimento.

    O preço afunda. A confiança some.

Você entende que ninguém consegue suportar tanto assim? Mesmo mentes brilhantes não resistiam, não tinha nada do que é hoje.

Manchetes que teriam te feito desistir (sem nem vender)

Mesmo que você fosse um monge zen com o preço, as notícias teriam sido outro teste. Bitcoin não foi só volátil, ele foi constantemente atacado:

  • Silk Road ligando BTC a crime;

  • Proibições bancárias e políticas;

  • Guerras internas e forks;

  • Quebras de exchanges dominantes;

  • Colapsos como FTX reacendendo “Bitcoin morreu”.

Cada evento desses não vinha com aviso, eles surgiam do nada, em ciclos de pânico.

A pergunta não era “quanto vale meu BTC”, mas:

  • “Isso ainda vai existir daqui a cinco anos?”

Segurar exige convicção quando o consenso diz que você está errado.

Mesmo que você nunca vendesse… você poderia ter perdido tudo

Aqui entra a parte mais ignorada da história: risco operacional.

Bitcoin não é um número numa conta.

É uma chave. E milhões de BTC foram perdidos não por erro de mercado, mas por erro humano.

  • HD descartado;

  • backup inexistente;

  • senha esquecida;

  • custódia em exchange que faliu.

Estima-se que milhões de bitcoins estão permanentemente inacessíveis. Muita gente não “hodlou”.

Simplesmente perdeu. No início, ninguém tratava BTC como algo que valeria milhões.

Ele era salvo em laptops comuns, pendrives, computadores de trabalho.

A disciplina de segurança que hoje parece óbvia não existia.

Os poucos que ficaram ricos não usaram troco

Outro ponto que desmonta o mito: As histórias reais de riqueza em Bitcoin não começam com US$ 1.

Elas começam com:

  • convicção e conhecimento fora da curva;

  • entendimento técnico profundo;

  • e, principalmente, tamanho de posição e tempo….

Os Winklevoss compraram dezenas de milhares de BTC com milhões de dólares.

Li Xiaolai acumulou pesado quando ainda era cedo.

Outros venderam parte cedo… e nunca conseguiram recomprar.

Fortuna em Bitcoin não veio de sorte passiva, e, sim, de decisão ativa, repetida por anos, sob pressão extrema.

A verdade sobre ter holdado bitcoin:

Mas uma péssima lição, o que o Bitcoin realmente ensina não é sobre “ter comprado antes”.

É sobre:

  • estrutura;

  • convicção;

  • tempo;

  • e custo psicológico.

Ganhos extraordinários não vieram de atalhos. Vieram de atravessar um caminho que a maioria não conseguiria repetir, nem se tivesse a máquina do tempo.