💳 A Mastercard criou um programa formal reunindo 85 empresas cripto

O Mastercard Crypto Partner Program inclui Binance, Bybit, Circle, Fireblocks, Paxos, PayPal, Ripple e Solana, entre outros.

O objetivo declarado é criar espaço de diálogo e desenvolvimento conjunto de produtos que combinem ativos digitais com a infraestrutura tradicional de cartões.

O interesse da Mastercard em cripto não é novo, em 2020 já falava em cartões de Bitcoin, e um relatório de janeiro deste ano mostrou US$ 230 milhões mensais em transações cripto via cartões.

O programa formaliza o que já vinha acontecendo de forma fragmentada.

O argumento central da empresa é que cripto deixou de ser concorrente do sistema financeiro para se tornar uma camada complementar, especialmente, em remessas internacionais, pagamentos B2B e liquidação institucional.

Casos de uso que não dependem de narrativa especulativa para funcionar.

O que chama atenção é o tom, a Mastercard admite abertamente que tem o que aprender com desenvolvedores cripto, e que o programa serve para influenciar a direção de produtos futuros, não apenas para distribuir os existentes.

📉 Taxa de financiamento do Bitcoin fica negativa, os ursos estão confiantes demais?

A taxa de financiamento anualizada dos futuros perpétuos do Bitcoin caiu para -7% na quinta-feira, o que significa que eram os vendedores pagando para manter posições abertas, sinal de convicção baixista acima do normal.

O Bitcoin segue 45% abaixo do ATH enquanto Nasdaq e Russell 2000 estão a 6% e 9% das máximas, respectivamente.

A tese de que cripto sofre mais por medo macroeconômico do que os próprios ativos de risco tradicionais fica difícil de sustentar com esses números.

Dois fatores pesam contra uma recuperação rápida.

O ouro acima de US$ 5.100 enfraquece a narrativa de reserva de valor do Bitcoin, e os rendimentos do Tesouro americano de 5 anos subiram para 3,80% depois de ficarem abaixo de 3,50% em fevereiro, ou seja, renda fixa voltou a competir com ativos de risco por alocação institucional.

Entradas institucionais seguem consistentes abaixo de US$ 75.000, o que limita o espaço para uma correção mais profunda.

O prêmio dos futuros de 2 meses ficou abaixo de 5% nas últimas semanas, longe do otimismo, mas sem sinalizar estresse agudo.

O nível de US$ 66.000 segue como o próximo teste relevante se o sentimento continuar se deteriorando.

A pergunta que o mercado ainda não respondeu: os ursos estão certos na direção, ou apenas cedo demais?

🔓 Ledger descobre vulnerabilidade em Android

A Ledger Donjon, braço de segurança da Ledger, demonstrou um ataque contra o Nothing CMF Phone 1 que levou 45 segundos para recuperar o PIN do aparelho, descriptografar o armazenamento e extrair frases-semente de carteiras de software, com o celular conectado a um laptop.

O ataque funciona mesmo com o dispositivo desligado.

Os aparelhos afetados são aqueles que combinam processadores MediaTek com o Trusted Execution Environment (TEE) da Trustonic.

A MediaTek reconheceu a vulnerabilidade, catalogada como CVE-2025-20435, e entregou uma correção aos fabricantes em janeiro, meses após a Ledger Donjon ter reportado o problema diretamente à empresa.

Smartphones usam o mesmo ambiente de execução para múltiplas funções do sistema, o que significa que uma falha no TEE compromete tudo que está armazenado ali.

Carteiras de hardware com Secure Element dedicado isolam as chaves privadas do restante do sistema, esse isolamento é exatamente o que impediu o ataque de funcionar contra dispositivos Ledger.

A correção foi entregue aos fabricantes, mas a distribuição de atualizações de segurança no ecossistema Android é fragmentada e lenta.

Usuários de aparelhos com MediaTek e TEE Trustonic devem verificar se receberam o patch de segurança de janeiro de 2026, e, enquanto isso, evitar armazenar frases-semente em qualquer aplicativo no celular.

🇵🇾 Paraguai cria obrigação de declarar cripto

A Dirección Nacional de Ingresos Tributarios (DNIT) do Paraguai publicou esta semana a resolução DNIT N.º 47, que obriga residentes a declarar operações com criptomoedas que ultrapassem US$ 5.000 por ano.

A obrigação começa a valer para o exercício fiscal de 2026.

O nível de detalhe exigido é o que chama atenção.

Não basta informar o saldo ou o valor total movimentado, a declaração deve incluir data e hora exatas de cada operação, a rede blockchain utilizada, o hash da transação, os endereços públicos de origem e destino, a quantidade negociada com precisão de até dez casas decimais e as taxas de rede convertidas para dólares.

O escopo cobre compra, venda, transferências, doações, pagamentos, mineração, staking, lending e NFTs.

Exchanges que operam no país também estão obrigadas a reportar…

O envio é feito pelo sistema tributário Marangatu, até o terceiro mês após o encerramento do ano fiscal. Atraso na entrega gera multa de 1 milhão de guaranis, cerca de US$ 130, além de outras sanções administrativas.

Na prática, o Paraguai está construindo uma infraestrutura de rastreamento on-chain integrada ao fisco, algo que poucos países implementaram com esse grau de granularidade.

A multa baixa pode sugerir que a prioridade atual é criar o banco de dados, não punir, mas a estrutura montada permite fiscalização muito mais agressiva no futuro.

Vale lembrar, que o Paraguai é um dos destinos históricos de mineração de Bitcoin na América Latina por conta da energia barata.

Essa regulação muda o cálculo para quem opera no país assumindo anonimato como premissa.

🐳 Baleias acumulam Bitcoin enquanto varejo vende

Um relatório da Bitfinex publicado nesta terça mostra uma divergência clara no comportamento dos investidores: carteiras com mais de 1.000 BTC aumentaram exposição em 8% desde o topo de outubro, enquanto carteiras menores estão vendendo nos últimos 30 dias.

Acumulação silenciosa de um lado, capitulação de varejo do outro.

O dado estrutural mais relevante do relatório é o Leverage Reset Index em 0,32 — mínima de vários anos.

Na prática, significa que a alavancagem especulativa foi quase toda eliminada após a queda de 52% do topo, e que o preço agora reflete demanda real no mercado à vista, não posições em derivativos.

Se o petróleo chegar a US$ 120 e se mantiver, o Fed seria forçado a endurecer a política monetária, o que derrubaria a tese de recuperação do Bitcoin junto com os demais ativos de risco.

🐻 O bear market de 2026 é diferente de 2022 ?

Em 2022, o mercado cripto colapsou em cascata: Terra/Luna, Three Arrows Capital, Celsius, FTX.

Cada falência puxava a próxima.

Em 2026, esse tipo de contágio sistêmico não aconteceu.

ETFs de Bitcoin à vista detêm quase US$ 91 bilhões, tesourarias corporativas seguem acumulando, e as métricas on-chain mostram crescimento real, stablecoins +50%, volumes liquidados +18%, aplicativos +36% em 2025.

A estrutura mudou.

Instituições hoje funcionam como amortecedor onde antes havia alavancagem de varejo amplificando quedas.

A clareza regulatória emergente, GENIUS Act para stablecoins, CLARITY Act para tokens, está deslocando a avaliação de narrativa especulativa para modelos baseados em fluxo de caixa.

Projetos frágeis perdem liquidez em silêncio, sem explosões que contaminam o resto.

O que não mudou: o preço caiu pesado assim mesmo.

Bitcoin acumula queda de 45% do ATH, altcoins estão perto de mínimas históricas, e o varejo está fora do mercado. A ausência de pânico existencial não equivale a ausência de dor.

O quadro que emerge é de uma economia em dois ritmos: utilidade crescendo enquanto especulação definha.

Isso é estruturalmente saudável, mas não garante recuperação rápida, e quedas adicionais de 60-70% ainda são citadas como possíveis pelos próprios analistas otimistas com o cenário.

A diferença real entre 2022 e 2026 pode ser resumida assim: desta vez, o que está sendo testado não é a sobrevivência do setor, mas a paciência de quem ficou.

Conteúdos da semana

Por fim, fique com alguns conteúdos importantes que preparei essa semana para ajudar você a continuar entendendo o que está acontecendo no mercado cripto. 👇

Dormiu, acordou, coletou

4.20 Lucas 👽

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