Em 2021, a China parecia ter encerrado definitivamente qualquer relação com o Bitcoin.

O país que chegou a concentrar cerca de 65% do hashrate global simplesmente desligou as máquinas, proibiu a mineração, declarou transações cripto ilegais e empurrou mineradores para os EUA, Cazaquistão e Rússia.

Quatro anos depois, algo curioso está acontecendo que é a mineração está voltando, de forma, silenciosa e fora dos holofotes.

E isso diz muito sobre Bitcoin… e sobre a própria China.

De domínio absoluto à proibição total (2021)

Antes da repressão, a mineração chinesa era resultado de uma combinação difícil de alcançar:

  • energia barata;

  • excesso estrutural de geração elétrica;

  • infraestrutura industrial pronta;

  • e tolerância regulatória local.

Em 2021, isso virou problema político, pra você ter ideia Pequim passou a ver a mineração como:

  • risco financeiro;

  • possível canal de saída de capitais;

  • uso “ineficiente” de energia;

  • e algo fora do controle estatal.

O banimento foi rápido, o hashrate global despencou, mas ainda assim a rede continuou e inclusive, aumentou a descentralização.

O que mudou de lá pra cá?

O ponto central são os incentivos econômicos nunca desapareceram.

Mesmo com a proibição nacional, três fatores estruturais continuaram existindo dentro da China:

  1. Excesso de energia difícil de exportar

    Províncias como Xinjiang e Sichuan produzem mais eletricidade do que conseguem transmitir para os grandes centros urbanos. Parte dessa energia ficaria ociosa.

  2. Infraestrutura de data centers subutilizada

    Nos últimos anos, a China construiu data centers em ritmo acelerado. A demanda “oficial” nem sempre acompanhou a oferta.

  3. Bitcoin mais caro

    Com o preço do BTC muito acima dos níveis de 2021, operações menores, discretas e descentralizadas voltaram a fazer sentido econômico.

Resultado real é que a mineração reapareceu, e os dados mostram isso objetivamente, e na própria China:

Estimativas recentes indicam que a China responde hoje por algo entre 14% e 20% do hashrate global.

Um sinal indireto forte vem da fabricante de ASICs Canaan: a participação da China na receita da empresa saltou de menos de 3% em 2022 para mais de 50% em 2025, ou seja, o mercado está crescendo.

Isso significa que a China “liberou” o Bitcoin?

Não.

Mas significa algo mais sutil, isso é, a postura chinesa está ficando mais seletiva do que ideológica.

Enquanto o uso especulativo e financeiro direto continua proibido, Pequim:

  • avança no yuan digital (e-CNY);

  • testa stablecoins reguladas via Hong Kong;

  • estuda tokenização e infraestrutura digital sob controle estatal.

Ou seja, os ativos digitais são aceitos quando servem à estratégia nacional.

A mineração, quando diluída, silenciosa e conectada a excedentes energéticos, deixa de ser prioridade política, mesmo que oficialmente continue proibida.

O que isso revela sobre o Bitcoin?

Três pontos importantes:

  1. Bitcoin se adapta a qualquer regime político

    Ele não precisa de permissão, só de energia e incentivos.

  2. Proibições deslocam, não eliminam

    O hashrate muda de lugar, mas a rede continua.

  3. A descentralização real é geográfica e econômica

    Nem EUA, nem China, nem ninguém controla o Bitcoin por muito tempo.

A volta silenciosa da mineração chinesa não é um “bull case”, é só uma prova estrutural e necessidade para o melhor uso de energia em conversão de dinheiro.

Quando até um Estado que tentou PARAR a atividade acaba convivendo com ela, o recado é claro: Bitcoin não depende de aceitação.

E isso, no longo prazo, costuma importar mais do que qualquer manchete. A adoção continua.

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