O clima nos mercados segue otimista…

Bolsas globais renovam máximas, ativos de risco voltam a ganhar fôlego e o Bitcoin não fica atrás. Ele rompeu a barreira simbólica do realized cap acima de US$ 1 trilhão.

Liquidez global ainda flui, a economia dos EUA resiste melhor que o esperado e a China despeja estímulos em escala trilionária.

Mas há sinais de alerta.

A inflação insiste em se manter acima da meta do Fed. Os chamados “Bond Vigilantes” já mostraram que podem empurrar os juros longos para cima, mesmo em meio a cortes de taxas.

E, acima de tudo, o dólar segue sendo a peça central: se voltar a se fortalecer, pode virar a maré e comprimir a liquidez global rapidamente.

A questão é inevitável: estamos no coração do ciclo, com espaço para mais uma pernada de alta? Ou já nos aproximamos dos últimos rounds, quando cada passo do dólar pesa mais que qualquer dado positivo?

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1. Liquidez global: o combustível ainda flui

Liquidez é o combustível dos mercados de risco.O dólar ($DXY) segue como termômetro central.

Quando o dólar enfraquece, a liquidez global se expande.

Isso se traduz em mais espaço para ativos de risco respirarem. Quando o dólar se fortalece, a maré inverte e até boas notícias ficam em segundo plano.

Do outro lado do mundo, a China injeta crédito em escala trilionária, o maior impulso desde 2021. Pequim tenta reacender crescimento interno, mas, na prática, esse estímulo vaza para o resto do mundo.

Resultado: mais liquidez circulando, sustentando mercado tradicional e cripto.

Esse pano de fundo lembra outros momentos de exuberância.

Em 2017, e depois em 2021, liquidez global abundante coincidiu com ciclos fortes de valorização. A diferença é que hoje há mais atenção ao papel do dólar. E tudo fica dependente de como do que acontecerá com o dólar.

2. Condições financeiras: terreno fértil para risco

Os índices de condições financeiras nos EUA e no mundo seguem fracos.

Em outras palavras: o crédito continua barato, a liquidez circula e o custo de carregar risco é baixo.

Esse ambiente lembra outros momentos de especulação intensa. Em 2017, vimos ICOs e altcoins multiplicando de valor enquanto o Fed ainda não tinha apertado a mão.

Em 2021, liquidez abundante e estímulos fiscais criaram o terreno perfeito para um dos maiores ciclos especulativos da história cripto.

Hoje, as condições não estão tão extremas, mas o paralelo é claro: com juros reais mais baixos, volatilidade de títulos em queda e bancos centrais sem pressa para apertar, o risco encontra um campo fértil para se expandir.

O que isso significa?

Ainda há espaço para ativos de risco crescerem. Mas, assim como em 2017 e 2021, isso pode virar euforia, e depois correção.

E são momentos rápidos, é necessário MUITO cuidado.

3. Ciclo econômico: PMI fraco, mas pode virar

O PMI global permanece abaixo de 50, sinal clássico de contração. Normalmente, esse dado faria o mercado soar alarmes de recessão.

Mas a história conta outra coisa.

Diversas vezes, leituras fracas de PMI marcaram pontos de virada para ativos de risco.

Foi assim em 2016, quando o ciclo global reaqueceu após um fundo de pessimismo. Foi assim também em 2020, quando a queda brutal do PMI antecedeu um dos maiores ralis já vistos.

Olhando para frente, há expectativa de melhora no segundo semestre de 2025.

Alguns indicadores regionais do Fed já mostram recuperação na indústria, e setores cíclicos começam a dar sinais de fôlego.

PMI fraco hoje pode ser oportunidade amanhã.

4. Economia dos EUA: resiliência surpreendente

A cada trimestre, os Estados Unidos desafiam os céticos.

O mercado de trabalho continua firme, com desemprego em patamares historicamente baixos.

O consumo das famílias segue sustentado, garantindo tração para o PIB. Até as receitas tributárias mostram força, reflexo de uma base econômica mais sólida do que muitos esperavam.

A temporada de lucros reforça esse quadro: empresas entregam resultados consistentes, mantendo margens em meio a custos ainda elevados.

Não é cenário de recessão iminente, pelo contrário.

Essa resiliência explica por que o Fed encontra espaço para agir de forma mais gradual. E mostra que, mesmo sob juros altos, a economia americana não cede tão facilmente.

5. O papel da China: estímulo em larga escala

Se os EUA são a engrenagem que mantém o motor global rodando, a China é o combustível extra.

O PBoC já injetou mais de US$ 1 trilhão em crédito neste ano, o maior impulso desde 2021.

A mensagem é clara: Pequim não quer ver sua economia patinando.

O crédito fácil busca reaquecer consumo interno, estabilizar o setor imobiliário e manter a produção girando.

Mas esse estímulo não fica restrito às fronteiras chinesas. Parte desse capital vaza para commodities, ativos emergentes e até cripto.

Historicamente, ondas de crédito chinês coincidem com pontos de virada no ciclo global. Quando a China abre as torneiras, o reflexo tende a aparecer meses depois nos preços de ativos de risco.

A dúvida agora é se essa rodada de estímulos será suficiente para puxar outra pernada de crescimento global, ou apenas retardar um ajuste mais profundo.

6. Fed e juros: cortes no radar

O mercado já precifica a volta dos cortes de juros em 2025.

Para muitos, isso é sinônimo de alívio. Para outros, sinal de que a economia precisa de suporte.

O ponto central: a inflação não voltou ao antigo “2%”. O novo piso parece mais próximo de 3%. Isso muda o jogo.

E é aí que entram os Bond Vigilantes.

Em 2024, eles já mostraram força: mesmo com a Fed reduzindo a taxa básica, os juros longos subiram.

Por quê? Porque investidores não compraram a narrativa de fraqueza econômica. Viram inflação persistente e venderam Treasuries, empurrando o rendimento de 10 anos para cima.

Se esse filme se repetir em 2025, os cortes do Fed podem até aliviar o curto prazo, mas não impedir a alta nos juros longos.

E juros longos mais altos costumam ser veneno para ativos de risco.

7. Dólar ($DXY): a peça central

Tudo converge para o dólar… Mas claro que isso vai mudar, mas enquanto isso:

O $DXY rompeu a tendência de baixa de curto prazo, mostrando que a moeda americana ainda não saiu de cena.

Cenário 1: se o dólar continuar firme, ativos de risco sentem o peso. Liquidez global encolhe, condições financeiras apertam e até narrativas otimistas ficam em segundo plano.

Cenário 2: se o dólar retomar a queda estrutural, abre-se espaço para mais uma pernada de alta em bolsas e cripto.

8. Sentimento e posicionamento: ainda há espaço

O posicionamento institucional começa a voltar para o risco.

Depois de meses defensivos, gestores que ficaram à margem são forçados a recomprar.
Enquanto isso, o varejo acertou o ponto de entrada em abril, comprou no fundo, enquanto fundos e gestores ainda vendiam.

Os fundos sistemáticos também já reabriram posições em grande escala.

Mais de US$ 100 bilhões voltaram para ações em poucas semanas. Mesmo assim, não há sinais de estresse extremo: o mercado não está sobrecomprado como em outros ciclos.

Ainda há espaço para risco correr. Mas, se um novo choque de volatilidade aparecer, tudo pode mudar rápido.

Cenário otimista, mas com atenção

O quadro segue favorável: liquidez sólida, economia americana resiliente, estímulos chineses e condições financeiras frouxas.

É um ambiente bullish para ativos de risco, inclusive cripto.

O risco central continua sendo o dólar forte.

Se o $DXY ganhar tração, ele comprime liquidez, endurece condições e coloca pressão sobre todo o ciclo global. Os juros longos são o segundo ponto de atenção: se voltarem a subir, podem corroer esse otimismo rápido.

Por enquanto, o jogo segue aberto.

A provocação é simples: não estamos no fim da festa, mas cada passo do dólar decide se o próximo round será de euforia… ou de queda.

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