Agosto parecia que seria lento. Mas a verdade é que foi um mês relativamente movimentado, principalmente, ao observarmos a correção que muitos ativos passaram.

Só que não foi apenas preço, mas também o fluxo.

ETFs de Bitcoin registraram saídas. ETFs de Ethereum receberam bilhões.

A questão agora não é se o Ethereum “vai subir mais”. É se estamos vendo o início de um ciclo em que o fluxo decide, e ele aponta para o ETH.

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A pergunta é clara: o ciclo mudou de líder?

Será que o fluxo do BTC está migrando para o ETH?

Se olharmos para agosto, o contraste é difícil de ignorar.

Enquanto o Bitcoin caiu cerca de 3%, o Ethereum disparou mais de 25%. Num mercado que parecia estável, esse descolamento foi um sinal curioso.

E não se tratou apenas de preço.

O driver foi fluxo institucional:

  • ETFs de BTC registraram saídas, drenando demanda.

  • ETFs de ETH captaram cerca de US$ 4 bilhões líquidos.

  • Demand for Allocated Tokens (DATs ) adicionaram outros ~US$ 10 bilhões ao lado comprador.

No agregado, são ~11 milhões de ETH, quase 10% de toda a oferta, agora alocados nesses veículos. Um “sumidouro” que reduz circulação e aumenta sensibilidade a novas entradas.

Ou seja: em agosto, o capital escolheu ETH. E será que isso irá se manter?

ETFs e DATs: o palco da disputa

Se agosto mostrou o descolamento, foi nos ETFs e DATs que o jogo realmente aconteceu.

ETFs

Os ETFs já são conhecidos: veículos regulados, negociados em bolsa, que permitem ao investidor tradicional se expor a cripto sem precisar lidar com carteiras e custódia.

Foram eles que abriram a porta do capital institucional para o Bitcoin e, mais recentemente, para o Ethereum.

DATs

Já os DATs (Demand Allocated Tokens) são menos falados, mas tão importantes quanto.

Funcionam como mandatos privados de alocação em ETH, usados por grandes players que não querem ou não podem operar via ETF.

São estruturas que absorvem enormes quantidades de tokens, mas fora do radar de preço diário. Em outras palavras, um sumidouro silencioso de oferta.

Esse é o detalhe que importa: a liderança do ciclo não se decide mais no varejo, mas em quem captura o fluxo institucional.

Setembro: o fluxo continuará mudando?

Setembro carrega um histórico incômodo para o Bitcoin.

Em 9 dos últimos 10 anos, o mês terminou no vermelho para o BTC.

É quase um padrão: queda de liquidez, realização de lucros e desânimo sazonal.

Esse pano de fundo deixa a pergunta ainda mais afiada: se o BTC repetir o script histórico, o ETH consegue manter o crescimento?

De um lado, o Ethereum entra em setembro com suporte estrutural,grande parte da oferta absorvida por ETFs e DATs. Do outro, o calendário joga contra: quando o BTC sofre, todo o mercado costuma sentir.

A diferença agora é que a narrativa de fluxo migrou. O capital institucional mostrou preferência em agosto.

Se essa tendência resistir ao teste da sazonalidade, o mercado pode estar diante de algo maior que uma divergência temporária: o início de um ciclo liderado pelo ETH.

On-chain e derivativos confirmam

Os fluxos institucionais explicam parte da história, mas o comportamento on-chain e nos derivativos dá mais pistas.

  • Funding rates: no fim de agosto, o funding do ETH caiu, mesmo após a forte alta. Isso reduz risco de euforia e mostra que o rali não foi apenas alavancagem desenfreada.

  • Breadth de mercado: no horizonte de 200 dias, 66% dos tokens seguem acima da média móvel, sinal de pano de fundo construtivo. Já no curto prazo (50 dias), só 38% estão acima, refletindo respiro pós-rali.

  • DEX volumes: chegaram perto de US$ 500 bi mensais, quase recorde histórico. Não houve explosão no número de usuários, mas houve mais capital rodando. É liquidez circulando onde importa.

Esses sinais contam uma história diferente da superfície “neutra” de agosto:

  • O ETH não parece esticado nos derivativos.

  • O mercado mais amplo está em pausa, mas não em colapso.

  • A liquidez on-chain mostra que há apetite real, mesmo que concentrado em menos players.

Tudo isso reforça a dúvida central: se o BTC perde tração e o ETH mantém suporte tanto institucional quanto on-chain, não seria esse o embrião de uma nova liderança de ciclo?

O que essa mudança de fluxo significa:

Se a pergunta é “o ciclo mudou de líder?”, a rotação de agosto sugere mudança de preferência do capital, não de “religião” do mercado.

Em termos práticos:

1) Papéis distintos podem emergir

  • BTC como âncora macro: referência de liquidez, mas com menor tração marginal de fluxo.

  • ETH como motor tático: onde o capital incremental procura elasticidade de preço quando há captação visível (ETFs/DATs) e uso de infraestrutura on-chain.

2) Oferta e sensibilidade de preço

  • Com parte relevante do ETH fora de circulação, novas entradas têm impacto proporcionalmente maior no preço.

  • Isso não invalida o BTC; apenas indica que, no curto/médio prazo, a elasticidade do ETH pode ser superior quando o dinheiro novo entra.

3) Narrativa institucional muda o ciclo

  • Antes: ciclos guiados por varejo e narrativas de “app season”.

  • Agora: ciclos podem ser guiados por veículos de captação (ETFs/DATs) e por receita/volumes on-chain. O “quem compra” pesa mais que o “o que se conta”.

4) Correlação ≠ liderança

  • O mercado ainda depende do BTC.

  • Liderança, aqui, significa para onde o capital marginal vai quando decide se expor. Em agosto, foi para o ETH.

5) O que poderia invalidar a leitura (sinais de reversão)

  • Volta de entradas robustas nos ETFs de BTC por várias semanas.

  • Funding do ETH aquecendo demais com preço travado (alavancagem empurrando, não fluxo real).

  • Dólar forte + juros longos em alta comprimindo risco e forçando saída de ativos “crescimento”.

  • Ruído regulatório que atinja diretamente estruturas de captação de ETH.

6) O que fortaleceria a tese

  • Entradas líquidas persistentes em ETFs/DATs de ETH.

  • Volumetria DEX elevada com estabilidade de funding.

  • Breadth melhorando no curto prazo (50d) sem deteriorar o pano de fundo de 200d.

Se liderança, aqui, é para onde o dinheiro novo está indo, agosto indica ETH à frente. Setembro testa se isso foi exceção… ou uma nova tendência dos próximos ciclos.

O ciclo mudou de líder?

Isso não significa que o Bitcoin deixou de ser a âncora do mercado. Ele ainda dita o humor macro e continuará sendo o “porto seguro” cripto.

Mas a pergunta era outra: para onde o capital marginal está indo?

A resposta, por enquanto, é clara: para o ETH. Mas isso, no curto prazo, não fiz ser tendência eterna em longo prazo, inclusive, é até difícil.

Setembro é o teste de observarmos o ciclo.

Se o bitcoin conseguir se manter positivo e puxando fluxo, talvez não estejamos diante de um “flippening” de narrativa…

Mas por enquanto, o ETH tem se desempenhado muito bem!

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