Ethereum e Solana são como dois mundos dentro do mesmo universo cripto.

De um lado, o veterano que inaugurou os contratos inteligentes e concentra a maior parte da liquidez do mercado.

Do outro, o desafiante que aposta em velocidade e baixo custo para atrair as massas.

E só de olhar o TVL já nota uma diferença absurda de 9x…

Durante anos, a Solana foi chamada de “Ethereum killer”. Mas o tempo mostrou que a pergunta não é se uma vai ser "killer” da outra, e sim como essas duas arquiteturas diferentes podem coexistir e dividir espaço no mesmo ciclo.

É até complicado de comparar as duas diretamente, apesar de terem propostas próximas. No fundo, a comparação não é só sobre tecnologia.

É sobre visão de futuro: Ethereum busca ser a infraestrutura robusta, confiável e descentralizada para qualquer aplicação, enquanto Solana quer ser a experiência rápida, barata e escalável para quem entra em cripto pela primeira vez.

A questão que fica é: existe uma moeda melhor do que a outra?

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1. Mecanismos de funcionamento: PoS x PoH

A forma como cada blockchain valida transações é mais do que detalhe técnico, é a base que define sua escalabilidade, segurança e até narrativa no mercado.

  • Ethereum

Funciona de um modo simples em que os validadores travam ETH como garantia para confirmar blocos e manter a rede segura.

Esse modelo trouxe eficiência energética, reduziu custos e abriu espaço para o staking líquido.

O preço?

A crítica de que grandes validadores podem concentrar poder e tornar o sistema menos “descentralizado” do que prometia.

  • Solana

Por outro lado, inovou com o Proof of History (PoH), um “relógio criptográfico” que organiza transações em ordem antes mesmo delas serem validadas.

Isso reduz gargalos e aumenta brutalmente a capacidade de processamento.

Na prática, é como se a rede rodasse em 5G enquanto o Ethereum ainda estivesse no 4G.

Só que essa velocidade exige maior coordenação entre validadores, o que gera críticas sobre centralização e pontos únicos de falha…

Essa diferença explica muito da percepção do mercado…

2. Linguagens e ecossistema de desenvolvimento

Por trás de cada blockchain existe uma comunidade de desenvolvedores e a linguagem usada pode ser o divisor de águas entre adoção massiva ou barreira de entrada.

Ethereum construiu seu império em cima da EVM (Ethereum Virtual Machine) e da linguagem Solidity, criada sob medida para contratos inteligentes. Isso trouxe duas consequências:

  1. Uma curva de aprendizado mais íngreme, já que era algo totalmente novo.

  2. A criação de um exército de devs especialistas que dominam essa linguagem e, com isso, expandiram o ecossistema DeFi e NFT de forma exponencial.

Solana tomou outro caminho: abriu as portas para linguagens já conhecidas, como Rust, C e C++.

Essa decisão atraiu desenvolvedores vindos de fora do cripto, principalmente de jogos e sistemas de alto desempenho.

O resultado é um ecossistema que avança rápido em inovações técnicas, mas que também enfrenta o desafio de uma arquitetura mais complexa e sujeita a erros quando o código não é bem auditado.

A disputa aqui é quase cultural: Ethereum criou um idioma próprio, que exige dedicação total de quem entra;

Solana usa dialetos familiares, que convidam devs de fora a experimentar.

No longo prazo, isso se reflete no ritmo de inovação.

Ethereum tem solidez e estabilidade no código; Solana tem velocidade e acessibilidade para expandir seu ecossistema.

3. Descentralização: quem está realmente no controle?

A descentralização é vendida como o core das duas moedas. Mas, quando olhamos de perto, nenhuma das grandes redes é tão descentralizada quanto parece.

No Ethereum, qualquer pessoa pode rodar um nó, mas somente em teoria.

Na prática, manter um full node exige hardware robusto (SSD de terabytes, dezenas de GB de RAM, internet estável) e conhecimento técnico que afasta a maioria dos usuários comuns.

Já para validar blocos, o requisito de 32 ETH em stake limita a participação a quem já tem capital considerável.

Grande parte da rede roda em provedores de nuvem como AWS, Google Cloud ou servidores dedicados.

Isso concentra pontos de falha que vão contra a promessa de “rede sem dono”.

Na Solana, o cenário é ainda mais concentrado. Os validadores precisam de máquinas de altíssima performance (centenas de GB de RAM, dezenas de núcleos de CPU, SSDs empresariais), o que praticamente restringe a operação a empresas, exchanges ou investidores institucionais.

Os 30 maiores validadores já controlam mais de 35% da rede. É como se a corrida pela validação tivesse barreiras de entrada tão altas que só grandes players conseguem competir.

Esse quadro mostra um ponto crítico: a descentralização plena é um mito. As redes são mais distribuídas do que bancos ou servidores centralizados, sim, mas estão longe da utopia de “todo mundo com seu nó rodando no laptop”.

E essa concentração traz riscos claros:

  • Dependência de infraestrutura centralizada (AWS ou Google, no caso do Ethereum).

  • Cartelização de validadores (mais visível na Solana).

  • Governança enviesada, já que quem tem mais stake ou poder computacional dita o ritmo.

O paradoxo é que, mesmo com esses riscos, o mercado continua apostando nessas redes. Isso porque o valor delas não vem apenas da descentralização absoluta, mas da segurança prática, liquidez e capacidade de sustentar ecossistemas bilionários.

4. Custos de transação: o pedágio invisível

Um ponto que impacta diretamente a experiência do usuário, seja investidor, desenvolvedor ou apenas curioso, são as taxas de transação.

Ethereum: caro, mas consolidado

No Ethereum, o famoso gas fee já foi tema de piada (e de dor de cabeça).

Em períodos de uso intenso, taxas acima de US$ 50 por transação não eram incomuns.

Mesmo com o avanço para Proof of Stake e melhorias no ecossistema (como rollups e L2s), a rede principal ainda é cara.

Solana: barato até demais

Na Solana, a lógica é quase oposta. Taxas de centavos, ou até frações de centavos, tornaram a rede um imã para traders de NFT, memecoins e jogos.

Esse custo irrisório facilitou a explosão de atividade, mas também atraiu spam e até ataques baseados em transações em massa, justamente porque fica barato sobrecarregar a rede.

5. Velocidade de transações: escala vs. resiliência

Um dos pontos mais comparados entre Solana e Ethereum é a velocidade com que cada rede processa transações.

Solana: campeã de throughput

A Solana consegue lidar com dezenas de milhares de transações por segundo (TPS) em condições normais, números que já chegaram perto de 50.000–65.000 TPS em testes de estresse.

Esse desempenho a torna a queridinha de traders de alta frequência, NFTs de baixo custo e aplicações que dependem de agilidade.

Mas a velocidade tem um preço: para manter esse throughput, a rede exige hardware robusto, o que restringe o número de validadores verdadeiramente descentralizados.

Além disso, já enfrentou episódios de downtime justamente por não aguentar a enxurrada de transações falsas ou spam.

Ethereum: lento, mas robusto

O Ethereum, na versão base (Layer 1), processa apenas 15–30 TPS. Parece pouco, e realmente é quando comparado à Solana.

A diferença é que o Ethereum adotou outro caminho: escala através de camadas adicionais (Layer 2).

Redes como Arbitrum, Optimism e Base já processam milhares de TPS por cima do Ethereum, aliviando a mainnet e mantendo o ecossistema resiliente.

A lógica é parecida com a da internet: a rede principal é o “backbone” que mantém a segurança, enquanto soluções externas expandem a capacidade de tráfego.

6. Valor de mercado e adoção institucional: confiança com preço

No fim do dia, preço e valor de mercado não são só números. Eles são a tradução da confiança coletiva.

Ethereum: o gigante consolidado

  • O Ether (ETH) é a segunda maior cripto do mundo, com valor de mercado acima de centenas de bilhões de dólares.

  • Isso significa que fundos, ETFs e tesourarias corporativas enxergam o Ethereum não só como tecnologia, mas como reserva de valor funcional — ainda que mais arriscada que o Bitcoin.

  • É a rede que mais concentra stablecoins, o que reforça o papel do Ethereum como a “infraestrutura financeira” da Web3.

Solana: crescimento acelerado

  • O SOL, mesmo com oscilações fortes, já consolidou posição entre os top 5 ativos cripto - fora stable.

  • Essa valorização atraiu não só varejo, mas também empresas que querem velocidade e baixo custo. Para NFTs, Solana se tornou a principal alternativa ao Ethereum justamente por permitir transações acessíveis.

  • O ponto de atenção: a dependência de narrativas fortes (memecoins, NFTs, restaking) pode gerar volatilidade acima da média.

Existe uma moeda melhor do que a outra?

A disputa entre Ethereum e Solana nunca foi, de fato, sobre “quem vence” no sentido clássico.

Elas não competem no mesmo jogo, mas entregam respostas diferentes para as mesmas dores.

O Ethereum é o alicerce.

A Solana, por outro lado, não está só correndo atrás: ela já entrega velocidade, baixo custo e experiências de usuário que o Ethereum ainda não conseguiu replicar.

Portanto, a pergunta “existe uma moeda melhor do que a outra?” talvez seja mal formulada.

O real ponto é: Ethereum representa a base e a segurança, Solana representa o dinamismo e a expansão. E no ciclo atual, os dois papéis não apenas coexistem, mas se complementam.

Quem enxerga esse cenário não precisa escolher um “vencedor”: pode se beneficiar das forças de cada uma, e esse talvez seja o verdadeiro diferencial do investidor que pensa no longo prazo.

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