O mercado está tentando decidir se esse mergulho foi só um susto… ou se é a entrada oficial de um ciclo mais longo de lateralização e desgaste.

E é aqui que a maioria erra o diagnóstico: ficam presos em “vai ter corte de juros” como se isso, sozinho, ligasse o modo bull.

Mas o que muda jogo mesmo em cripto não é o corte em si é a liquidez.

E a grande virada do momento é simples, depois de anos drenando liquidez, o Fed parou de retirar e começou a injetar de novo. Primeiro interrompendo o aperto. Depois voltando a colocar dinheiro no sistema.

Isso, por si só, já muda tudo, só que muda de um jeito específico: não é foguete, não é 2020, não é “novo topo garantido”.

É mais um movimento de “parar o sangramento” do que “reacender euforia”.

Então, se 2026 é pra ser um guia completo, a pergunta certa não é “o Fed cortou?”. A pergunta é: qual o tamanho da liquidez que entra, por quanto tempo ela entra, e o que teria que quebrar para virar bazuca de verdade?

É isso que a gente vai destrinchar agora, passo a passo.

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O Fed parou de drenar liquidez… mas isso não é QE

Aqui está o ponto que mais confunde o mercado, e onde muita narrativa nasce torta.

Sim, o Fed parou o QT - quantative easing (retirada de liquidez), e sim, ele voltou a injetar dinheiro no sistema.

Mas não, isso não é um novo QE clássico. O que está acontecendo agora é um movimento bem mais contido, quase cirúrgico.

O Fed passou anos enxugando o balanço, retirando liquidez de forma contínua. Em dezembro, isso muda em duas etapas importantes:

  1. Ele interrompe a drenagem.

  2. Ele inicia compras de títulos de curto prazo (Treasury Bills).

Essas compras acontecem via um mecanismo que o Fed evita chamar de QE.

O nome técnico é Reserve Management Purchases. Na prática, é uma forma de estabilizar reservas bancárias, não de estimular crescimento agressivo.

O número importa: cerca de US$ 40 bilhões por mês, com expectativa de encerramento por volta de abril de 2026.

Isso é positivo para o mercado cripto? Sim.

Isso reacende bull market sozinho? Não.

Para ter ideia de escala, em 2020, falávamos de US$ 800 bilhões por mês. Agora estamos falando de algo que mantém o sistema funcionando, não de um foguete que empurra ativos de risco para novos topos.

Ou seja: o Fed está tirando o pé do freio, mas ainda não pisou no acelerador.

E isso explica por que o mercado oscila, ensaia ralis, mas não consegue sustentar movimentos fortes. Falta combustível estrutural.

O desemprego é o verdadeiro gatilho (e não a inflação)

Aqui está o ponto mais subestimado e, ao mesmo tempo, o mais decisivo de todo o cenário para 2026.

O mercado ainda fala de inflação.

O Fed já mudou o foco.

Hoje, o dado que realmente importa para Jerome Powell é o mercado de trabalho.

E os sinais não são bons.

A taxa de desemprego já encostou em 4,6%, acima do que o próprio Fed projetava para o fim de 2025.

Mais importante do que o número isolado é a tendência de criação de vagas desacelerando, revisões negativas e cortes acumulados que já passam da casa de 1 milhão.

Isso não é aleatório.

Historicamente, sempre que o desemprego começa a subir de forma estrutural, o Fed entra em modo defensivo.

Não por escolha ideológica, mas por mandato. Se o emprego enfraquece, a política monetária muda.

E aqui entra o ponto-chave do ciclo, enquanto a inflação pode oscilar sem gerar pânico, o desemprego obriga resposta.

Powell já deixou isso claro.

Ele mesmo afirmou que o mercado de trabalho pode estar sendo subestimado nos dados atuais.

Se essa deterioração continuar em 2026, duas coisas tendem a acontecer:

  • Mais cortes de juros do que o Fed admite hoje;

  • Pressão política e econômica para injeção real de liquidez.

O desemprego é o gatilho que define se 2026 será apenas um período de lateralização… ou o início de um novo regime monetário.

E é isso que conecta diretamente o Fed ao Bitcoin.

O que esse guia realmente diz sobre 2026

Depois de juntar todas as peças, a leitura fica mais simples do que parece.

2026 não começa como um ano de euforia, começa como um ano de transição.

O Fed já parou de apertar.

Já começou a devolver liquidez. Mas ainda está longe de liberar o fluxo que muda regime.

Isso coloca o mercado em um território específico: nem colapso, nem bull clássico.

Um ambiente onde o preço reage, respira, ensaia ralis… mas ainda é governado por estrutura, não por narrativa.

O desemprego é o fiel da balança.

Se continuar piorando, força resposta.

Se estabilizar, o mercado fica preso nesse modo de desgaste por mais tempo. E é aqui que entra o erro mais comum: tentar operar 2026 como se fosse 2020 ou 2021.

Esse ciclo não começa com euforia, ele começa com dúvida.

Não começa com manchete, mas começa com posicionamento, até porque o Bitcoin não precisa de um “evento mágico” para se valorizar no longo prazo.

Mas, no curto e médio prazo, ele depende, sim, de liquidez suficiente para sustentar tendência.

Quem entende isso não fica esperando topo nem fugindo de sombra.

Fica no mercado, ajustando risco, sabendo que quando o fluxo muda de verdade… ele não avisa, ele simplesmente acontece.

E aí, quem estava preparado não corre atrás, só acompanha. 🖖

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