A Aster surgiu como uma das narrativas mais quentes do mercado de perpétuos em 2025. Airdrop agressivo, menção pública do CZ, token subindo mais de 1.000% e volume batendo bilhões.

Mas o gráfico conta uma história diferente.

O token ASTER está cotado a US$ 0,70, queda de aproximadamente 70% em relação ao topo - apesar - de no coingcko não está o registro completo.

O market cap é de US$ 1,7 bilhão, mas o FDV (Fully Diluted Valuation) está em US$ 5,4 bilhões. Isso significa que menos de um terço dos tokens está em circulação. Tem muita diluição pela frente.

E quando olhamos os números com mais atenção, a narrativa de "nova gigante dos perpétuos" precisa ser colocada em perspectiva. 🖖👇

O que é a Aster e como funciona?

Pense na Aster como uma corretora de futuros construída no DeFi.

Ela permite que qualquer trader abra posições alavancadas, apostando na alta ou na queda de um token, sem precisar de intermediários.

Funciona assim: você deposita colateral, escolhe o par, define se vai "longar" ou "shortar" e paga (ou recebe) a famosa funding rate para manter sua posição aberta.

Esse modelo já existe há anos em exchanges centralizadas, mas o diferencial da Aster é trazer essa experiência para dentro de uma DEX, com interface simples, taxas baixas e dois modos de operação:

  • Simple Mode: execução em um clique, proteção contra MEV, alavancagem de até 1001x. Voltado para iniciantes.

  • Pro Mode: order book completo, grid trading automatizado e hidden orders (ordens invisíveis até a execução). Voltado para traders avançados.

Além dos perpétuos, a Aster oferece negociação spot em alguns pares, mas o motor do protocolo é mesmo o mercado de futuros perpétuos.

A plataforma opera em múltiplas redes: BNB Chain, Ethereum, Solana e Arbitrum.

Tokenomics e números da Aster

O token ASTER tem um fornecimento máximo de 8 bilhões de tokens.

Atualmente, apenas 2,45 bilhões estão em circulação, cerca de 30% do total. Mais de 5,5 bilhões de tokens ainda vão entrar no mercado.

A alocação chama atenção: 53,5% do supply foi destinado a airdrops.

Parece favorável à comunidade, mas na prática, quando mais da metade dos tokens é distribuída "de graça", a pressão de venda tende a ser intensa e é o que o gráfico mostra: queda de 70% desde o topo de US$ 2,31.

O Market Cap está em US$ 1,7 bilhão, mas o FDV é de US$ 5,4 bilhões.

Quase US$ 4 bilhões em diluição futura. E 97% do supply está concentrado nas 100 maiores carteiras.

Sobre receita e uso:

  • Fees anualizadas: US$ 120 milhões

  • Incentivos anualizados: US$ 1,02 bilhão

  • Holders Revenue: US$ 0

  • TVL: US$ 936 milhões

  • Open Interest: US$ 1,95 bilhão

  • Perp Volume 30d: US$ 77,1 bilhões

O volume e o open interest existem.

Mas o protocolo gasta quase 9 vezes mais em incentivos do que arrecada em fees.

Quanto desse volume é orgânico?

E o Holders Revenue em zero significa que nada da receita flui para quem segura o token.

O projeto tenta mitigar com buyback de até 80% das fees diárias e já queimou 77,8 milhões de ASTER, mas se o volume cair e as fees diminuírem, o buyback perde força e a diluição volta a pesar.

O que chama atenção e o que preocupa:

A Aster tem números de volume e open interest que colocam o protocolo no mapa.

US$ 77 bilhões em volume de perpétuos nos últimos 30 dias e quase US$ 2 bilhões em open interest não são números desprezíveis.

Mas quando olhamos por trás dos números, surgem pontos que precisam de atenção.

  • O primeiro é o desequilíbrio entre incentivos e receita.

Gastar US$ 1 bilhão por ano em incentivos para gerar US$ 120 milhões em fees levanta a pergunta inevitável: o que acontece com o volume quando os incentivos diminuírem?

  • O segundo é a campanha "Zero-Fee Epoch" lançada em março de 2026.

Que oferece 100% de rebate nas taxas para novos usuários que depositarem mais de US$ 50.000 e atingirem US$ 10 milhões em volume. É uma estratégia agressiva de captação de liquidez, mas é combustível temporário, não motor permanente.

  • E o terceiro é o staking: US$ 575 mil staked em um protocolo de US$ 1,7 bilhão de market cap.

É 0,033%. Praticamente inexistente. Se nem os holders estão travando tokens, o que isso diz sobre a confiança no longo prazo?

Aster Chain: o investimento de infraestrutura

A grande jogada da Aster para 2026 é o lançamento da sua própria blockchain Layer 1, a Aster Chain, com mainnet prevista para este mês.

A proposta é criar uma cadeia otimizada para trading de derivativos com:

  • Zero-knowledge proofs para privacidade: traders podem verificar operações on-chain sem expor posições.

  • Finalidade sub-segundo para trading de alta frequência.

  • Aster Code: kit de desenvolvimento para que builders criem aplicações na chain.

  • Fiat on/off-ramps integrados com provedores regulados.

O testnet atraiu mais de 50.000 usuários.

Para o Q2 2026, estão previstos staking nativo de ASTER, governança on-chain e ferramentas de Smart Money (copiar estratégias de top traders).

É uma aposta ousada. Se funcionar, transforma a Aster de "mais uma DEX" em um ecossistema com blockchain própria.

Se não der certo, adiciona complexidade sem resolver o problema central: sustentar demanda real pelo token…

Riscos e Pontos de Atenção da Aster

Riscos e pontos de atenção

A Aster cresceu rápido, surfou o hype do airdrop e ganhou visibilidade com o apoio do CZ. Mas também carrega fragilidades que não dá para ignorar…

1. Diluição pesada

Menos de 1/3 dos tokens está em circulação. O FDV de US$ 5,4 bilhões contra um Market Cap de US$ 1,7 bilhão significa quase US$ 4 bilhões em tokens ainda travados para serem liberados. Os grandes desbloqueios foram adiados para 2026-2035, mas quando começarem a entrar no mercado, se o volume e as fees não acompanharem, a pressão de venda vai pesar.

E quem recebeu no airdrop já realizou, o gráfico mostra isso claramente.

2. Incentivos maiores que a receita

O protocolo gasta quase 9 vezes mais em incentivos (US$ 1 bilhão/ano) do que arrecada em fees (US$ 120 milhões/ano).

Campanhas como a "Zero-Fee Epoch" de março de 2026 atraem liquidez, mas é combustível temporário.

A pergunta que fica: quanto do volume e dos 11,2 milhões de usuários são orgânicos e quanto desaparece quando os incentivos acabarem?

3. Holders Revenue zero

Nada da receita do protocolo flui diretamente para quem segura o token.

Toda a receita vai para buybacks e operação.

O buyback ajuda a sustentar o preço no curto prazo, mas sem retorno direto ao holder, a razão para manter o token em carteira é puramente especulativa.

4. Concentração de supply

97% do supply está nas 100 maiores carteiras, isso significa que qualquer movimentação de uma baleia pode impactar o preço de forma desproporcional.

É um risco que não pode ser ignorado, especialmente num token com volume alto e liquidez concentrada.

5. Execução parcialmente off-chain

A Aster ainda roda parte da sua estrutura fora da blockchain. Isso pode limitar a confiança de usuários mais exigentes e a integração com outros protocolos DeFi.

O lançamento da Aster Chain promete resolver isso, mas até que esteja em operação e provado, o ponto permanece.

6. Dependência de narrativa

CZ citando, token pumpando, airdrop distribuindo, comunidade animada. Isso funciona no curto prazo, mas boa parte da tração da Aster ainda está atrelada a hype e figuras públicas, não a fundamentos de médio prazo.

Se a narrativa esfriar e o varejo perder interesse, o crescimento pode travar, e o gráfico já dá sinais disso com a queda de 70% desde o topo.

7. Concorrência

Hyperliquid segue como líder em open interest e profundidade de mercado.

GMX, dYdX, Drift, Lighter e Paradex continuam se movimentando e podem dividir ainda mais a liquidez.

A guerra dos perpétuos está só começando, e dificilmente haverá espaço para um único vencedor.

O que acompanhar daqui pra frente:

A Aster tem volume e open interest, mas quando olhamos a relação entre incentivos e receita, a diluição futura, a falta de revenue para holders e a concentração de supply, o cenário exige cautela… e não demonstra nada que gere otimismo.

O lançamento da Aster Chain é o próximo catalisador, se a mainnet funcionar e atrair volume orgânico, o projeto pode ganhar sustentação, mas sinceramente, não parece estar se formando isso.

Se for apenas mais uma chain sem tração real, adiciona complexidade sem resolver os problemas fundamentais…

Números existem, sustentabilidade do token, ainda não.

Até a próxima análise, se quiser sugerir o próximo token, deixa nos comentários e irei avaliar a possibilidade, abraços! 🖖

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