A Raydium surgiu em 2021 vendendo a promessa de “mudar o jogo” em DeFi.

Um protocolo que combinava o melhor dos dois mundos, os AMMs descentralizados e os order books tradicionais. Na teoria, genial.

Na prática, uma “proposta” bem ambiciosa num mercado que ainda mal sabia lidar com liquidez e segurança.

O time que desenvolveu o projeto é anônimo: (AlphaRay, XRay, GammaRay), a estrutura era complexa e o público nem sempre entendia o que estava acontecendo.

Por um tempo, funcionou. A Raydium virou sinônimo de eficiência: taxas mínimas, velocidade absurda e uma liquidez que sustentou boa parte do ecossistema onde nasceu.

Mas a euforia passou, e o que sobrou foi o desafio que muitos protocolos enfrentam hoje: continuar relevante sem depender de hype.

Ainda assim, há uma sensação incômoda no ar: o mercado parece precisar dela, mas não se importa com ela…

Com TVL acima de US$ 2 bilhões e volume trimestral de mais de US$ 50 bilhões, a Raydium é, sem dúvida, uma engrenagem vital do DeFi.

Vamos entender na análise de hoje se ela vale a pena!👇👽

O que é a Raydium e o que ela resolve

A Raydium é, na essência, uma DEX híbrida: um protocolo que combina dois mecanismos de liquidez: AMM (automated market maker) e order book (livro de ordens).

Na prática, ela foi criada pra resolver um problema que assombrava as DEXs desde o início do DeFi: liquidez fragmentada.

O modelo original da Raydium, o AMMv4, atuava de forma integrada com um livro de ordens centralizado (CLOB/AMM).

Isso permitia que as ordens executadas nas pools fossem refletidas no order book, algo raro naquela época.

Só que esse modelo virou legado. Ele ainda existe, mas perdeu a integração direta depois do colapso da antiga Serum. Só citamos porque tá no site, mas nem usam mais…

A evolução veio com as pools CPMM e CLMM, que são o coração da Raydium atual:

  • CPMM (Constant Product Market Maker): tem fees configuráveis, suporte ao padrão Token2022 e oferece range infinito. É o modelo mais simples e usado por quem quer prover liquidez de forma tradicional.

  • CLMM (Concentrated Liquidity Market Maker): também tem fees configuráveis e suporte ao Token2022, mas é mais flexível, permite liquidez concentrada em faixas específicas de preço, como na Uniswap v3.

Essa estrutura dá à Raydium uma vantagem técnica real: eficiência na execução e controle sobre taxas.

Mas o problema é que essa complexidade afasta usuários novos.

Crescimento e dados on-chain: ainda vale a pena?

A Raydium continua sendo uma peça essencial dentro do ecossistema.

O TVL (Total Value Locked) ultrapassa os US$ 2 bilhões, um avanço de 35% no último trimestre.

À primeira vista, isso parece sinal de força. Mas quando olhamos mais de perto, boa parte desse crescimento vem de pools concentradas em tokens de alto risco e memecoins, o que distorce a percepção de liquidez real.

Em outras palavras, a Raydium hoje é um dos motores do “hype trading” da Solana, o que mantém o protocolo ativo, mas não necessariamente saudável… E isso é um ponto muito importante.

O modelo híbrido de CPMM e CLMM continua sendo o coração técnico da Raydium, garantindo eficiência e taxas ajustáveis.

No entanto, o market share da DEX caiu de 23,5% para cerca de 10,5% em 2025, um sinal claro de que a concorrência está capturando o varejo, especialmente com interfaces mais simples e mecânicas de farming mais intuitivas.

LaunchLab

O LaunchLab é o LaunchPad nativo da Raydium, e herda toda a estrutura do protocolo principal. Ele permite que novos projetos criem seus próprios tokens e pools dentro da Raydium, sem depender de intermediários.

Os criadores recebem 10% das taxas das pools criadas, o que incentiva o uso, e há um sistema de referências (“Refs”) que redistribui parte dessas taxas para reforçar o ecossistema.

Na prática, o LaunchLab virou o palco principal dos novos tokens da Solana, especialmente, os de apelo viral.

Só em 2025, foram mais de 300 lançamentos, movimentando US$ 4 milhões em taxas no segundo trimestre.

Mas essa vitalidade vem com um custo: a dependência de narrativas curtas

A maioria dos tokens criados ali tem vida útil de dias, às vezes horas.

Tokenomics e valuation do RAY

O RAY foi lançado como o token central da Raydium: serviria para staking, governança e participação nas fees do protocolo, na teoria, ele seria o eixo do ecossistema. Na prática, virou mais um token utilitário que não reflete o valor que ajuda a mover.

Hoje, o supply total é de 555 milhões, com cerca de 268 milhões em circulação e preço na faixa de US$ 1,60. Isso coloca o market cap em torno de US$ 430 milhões, o que parece sólido, até olhar mais de perto.

O problema é que 65% do supply continua concentrado entre o time, validadores e investidores iniciais. Esses tokens continuam sendo desbloqueados gradualmente, cerca de 10 milhões por mês até 2027.

Essa pressão constante cria um teto invisível para o preço. A cada rally, parte da oferta é despejada no mercado, dificuldando o crescimento do ativo.

Onde o token realmente tem valor:

  • Staking e boosts: o staking de RAY oferece APYs de 6% a 8% e aumenta recompensas nas pools. Funciona bem para usuários ativos, mas é irrelevante para quem não participa de farming.

  • Governança DAO: ainda incipiente. As votações são pouco frequentes e de baixo impacto.

  • Buyback & burn: 12% de todas as taxas da plataforma são usadas para recomprar e queimar RAY. No último trimestre, isso representou cerca de US$ 14,6 milhões, mas o efeito no preço é limitado, a inflação mensal supera a deflação das burns.

A leitura REAL dos números:

Métrica

Valor (Q3 2025)

Interpretação

Preço

US$ 1.62

90% abaixo do ATH (US$ 16.93)

Market Cap

US$ 424M

Variável

TVL / Market Cap

0.17

Subvalorizado

Receita Trimestral

US$ 24.3M (+69% QoQ)

Crescimento, mas 84% vai para LPs

Tokens Circulantes

268M

Diluição em curso até 2027

Concentração de Whales

65%

Risco de dump coordenado

O que tudo isso mostra é simples: a Raydium até gera valor, mas não consegue canalizar esse valor para o token RAY.

LPs, criadores de pools e até bots ficam com a maior parte das recompensas, enquanto o token que sustenta tudo isso continua sendo negociado como um ativo de segunda linha.

RAY é infraestrutura necessária, mas ignorada e até que o protocolo consiga alinhar captura de valor com geração de receita, ele vai continuar sendo esse paradoxo: essencial para o DeFi da Solana, mas irrelevante no portfólio da maioria dos investidores.

Concorrência e desafios da Raydium

Por dois anos, a Raydium foi sinônimo de DEX na Solana. Mas 2025 mostrou que o domínio não é mais garantido, o mercado amadureceu, e agora ela enfrenta uma guerra de eficiência, UX e narrativa.

O market share da Raydium caiu de 23,5% em 2023 para 10,5% em 2025, mesmo com o TVL crescendo, um sinal claro de erosão competitiva.

O problema não é falta de uso, mas fragmentação da liquidez: ela continua sendo o motor de swaps, mas o valor gerado está se dispersando entre rivais mais ágeis.

Veja o cenário atual:

Concorrente

Vantagem Crítica

Impacto na Raydium

Orca

UX limpa, CLMM nativo desde 2022

Come 15% de share; Raydium perdeu o varejo.

Phoenix

Taxas de 0,1% e one-click pools

Ideal para small trades, rouba 15% do volume.

Jupiter

Agregador dominante

Ainda roteia 55% via Raydium, mas pode mudar com 1 linha de código.

Meteora

Pools dinâmicas, eficiência 2x

Capturou 19% do volume em Q3; atrai capital institucional.

O problema interno

Por trás da tecnologia, há uma ferida estrutural: centralização.

A dependência do antigo order book (agora OpenBook) e o excesso de wash trading inflaram métricas que já não refletem o uso real.

Enquanto isso, a experiência de usuário ficou parada no tempo.

O investidor médio quer simplicidade, não três telas e dez abas.

A Raydium tem robustez de exchange institucional, mas uma péssima curva de aprendizado.

Raydium virou base do ecossistema, mas seu token segue sem propósito claro…

A Raydium é um caso curioso no DeFi. Continua sendo infraestrutura vital da Solana, sustentando swaps, pools e lançamentos, porém o mercado já não a enxerga como protagonista.

O paradoxo é claro: sem Raydium, boa parte do ecossistema para; com ela, o token segue subvalorizado.

Enquanto Orca e Meteora disputam atenção com design e eficiência, a Raydium continua presa em um modelo técnico e um tokenomics que não recompensa o holder comum.

No curto prazo, o token pode surfar hypes de LaunchLabs e memecoins, mas o valor estrutural ainda continua sem força para crescer.

No longo prazo, ele depende da capacidade do time de reconectar narrativa com utilidade e de simplificar sem perder robustez. Mas por enquanto, e pelo tempo de rede, não parece ser o caso.

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