A Polkadot (DOT) está em R$ 6,94, com queda de ~74% em 1 ano. O mercado está dizendo uma coisa bem clara: não é fase de “narrativa bonita” — é fase de cobrança.

O gráfico não mostra só “bear market”. Mostra perda de relevância relativa:

  • Teve volta;

  • Foi vendido;

  • Perdeu suporte;

  • E não conseguiu recuperar estrutura.

Isso não significa que a Polkadot não tem utilidade no mercado mais. Mas, significa que a tese agora precisa provar execução, porque a tecnologia sozinha não segura preço por tanto tempo… é o que tem sido mostrada.

A proposta original segue forte no papel: segurança compartilhada + parachains + interoperabilidade. O problema é que, em 2026, o mercado olha menos para “arquitetura” e mais para adoção real:

  • Usuários;

  • Apps que as pessoas usam;

  • Liquidez;

  • Ecossistema vivo;

  • E, principalmente, captura de valor para o token.

Enquanto outras redes consolidaram narrativa e tração (Ethereum com rollups, Solana com performance, Cosmos com modularidade), a Polkadot ficou com a sensação de “projeto grande, mas lento”, e isso custa caro quando o capital fica seletivo.

Então a pergunta certa não é se ela vale a pena!👇👽

Como a Polkadot funciona

A Polkadot é uma rede feita pra conectar várias blockchains e dar segurança compartilhada pra elas.

Pensa assim:

1) Relay Chain

É a “espinha dorsal”;

Ela não é onde rolam os apps;

Ela coordena a rede e entrega segurança;

2) Parachains

São as blockchains que “plugam” na Polkadot;

Cada uma pode ser feita pra um objetivo (DeFi, games, identidade, etc.);

Elas usam a segurança da Relay Chain;

3) Por que isso é diferente

Em vez de cada projeto precisar “criar sua própria segurança”, ele herda a da Polkadot;

Isso, em teoria, deixa o ecossistema mais seguro e padronizado;

Onde a Polkadot não foi bem na prática:

O ponto crítico é que, por anos, o caminho para virar parachain envolveu mecânicas como leilões e slots, que deixaram o ecossistema mais pesado e menos direto.

Enquanto outras redes deixavam um projeto lançar e iterar rápido, a Polkadot parecia exigir mais etapas, mais engenharia e mais “camadas” antes de chegar no usuário.

E em cripto, isso cobra preço.

Mesmo assim, o coração da proposta continua forte: interoperabilidade de verdade com segurança compartilhada.

O problema não é a tese ser ruim…

É que ela concorre num mercado onde simplicidade e velocidade de adoção viraram arma, e a Polkadot muitas vezes pareceu complexa demais para o timing.

Tokenomics: inflação, distribuição e pressão estrutural

Se você olha só o gráfico de preço, parece que o problema é “mercado fraco”.

Mas quando você olha a estrutura do token, entende que existe uma pressão interna relevante.

1) Oferta e emissão

  • Fornecimento em circulação: ~1,66 bilhão de DOT

  • Fornecimento máximo: ~2,1 bilhões

  • Percentual já liberado: ~65%

  • Emissão contínua até 2035

A Polkadot não tem supply fixo como o Bitcoin, ela funciona com inflação dinâmica, principalmente via recompensas de staking.

Isso significa uma coisa simples:

Para o preço subir de forma consistente, a demanda precisa superar não só vendedores, mas também a emissão constante de novos DOT.

Se a atividade da rede não cresce no mesmo ritmo da emissão, o token sofre diluição.

Esse é um ponto que muita gente ignora.

2) Distribuição inicial

Pelo gráfico de distribuição:

  • Auction Investors: ~50%

  • Web3 Foundation: ~30%

  • Future Sales: ~11,6%

  • SAFT + Private Investors: ~8%

Ou seja:

  • Grande parte da distribuição ficou concentrada entre investidores iniciais e fundação.

Isso não significa necessariamente dumping, nem de perto, mas significa que há poder estrutural concentrado, especialmente na fundação.

Em redes altamente descentralizadas, isso costuma ser mais diluído.

3) Staking: força e risco ao mesmo tempo

Mais de 60% do supply historicamente fica travado em staking.

Isso tem dois efeitos:

Positivo:

  • Reduz oferta líquida circulando.

  • Incentiva holders de longo prazo.

Negativo:

  • Quem não faz staking é diluído.

  • A inflação se mantém ativa.

  • Em bear market, recompensas viram pressão de venda.

É um modelo que funciona bem em ciclos de alta.

Em ciclos de baixa, pode virar peso.

4) FDV vs Market Cap

Pelos dados:

  • Market Cap ajustado ~US$ 2,2B;

  • FDV ~US$ 3,5B.

A diferença não é absurda, mas ainda há oferta futura a ser absorvida.

Se a demanda não crescer junto com novos casos de uso reais, o preço fica pressionado.

Governança e Polkadot 2.0: correção de rota ou atraso?

A Polkadot sempre tentou se diferenciar pela governança on-chain.

Só que, no ciclo passado, isso veio junto de um modelo caro e burocrático: leilões de parachains.

Para muitos projetos, era um funil que exigia capital demais, planejamento demais e entregava tração de menos.

O que o modelo antigo mostrou na prática

Os leilões criaram narrativa e travaram DOT, mas também deixaram um rastro de problemas: custo alto para entrar, dependência de incentivos e uma sensação de que a “economia do ecossistema” girava mais em torno do mecanismo do que do uso real.

A inovação existia, mas a eficiência não apareceu do jeito que o mercado precificou.

OpenGov: mais aberto, mas não necessariamente mais eficiente

O OpenGov tornou o processo mais direto e transparente, removendo camadas intermediárias. Isso melhora a descentralização, mas traz um trade-off claro: governança muito aberta pode virar lentidão estratégica.

Em um mercado onde execução importa, demora custa.

Agile Coretime: o fim dos leilões e a mudança que importa

O Polkadot 2.0 tenta resolver o problema raiz substituindo slots fixos por “tempo de execução” comprado sob demanda.

Em tese, reduz a barreira de entrada, melhora o encaixe com necessidades reais e evita travas artificiais. Em contrapartida, muda a dinâmica que antes ajudava na escassez via lock: a estrutura fica mais funcional, mas menos “narrativa de oferta”.

Adoção real e uso de rede: onde está a tração?

Depois de entender tecnologia, tokenomics e governança, a pergunta inevitável é: a Polkadot está sendo usada?

Porque no fim do dia, preço segue fluxo. E fluxo vem de uso…

Parachains entregaram valor?

A proposta das parachains era clara: especialização. Cada chain focada em um nicho — DeFi, identidade, privacidade, gaming.

O problema é que poucas conseguiram gerar volume consistente.

Houve picos de atividade, incentivos, campanhas. Mas quando os subsídios diminuíram, a maior parte da tração também caiu. Isso não significa fracasso estrutural, mas mostra que a demanda orgânica ainda é limitada.

Métricas que importam

O mercado hoje olha para:

  • Endereços ativos;

  • Transações reais (não só técnicas);

  • TVL sustentável;

  • Receita da rede;

  • Desenvolvimento contínuo.

Polkadot costuma aparecer bem em atividade de desenvolvedores. O ecossistema técnico é forte. Mas isso ainda não se converteu, na mesma proporção, em usuários finais ou receita robusta comparável a concorrentes mais “narrativos”.

Polkadot é oportunidade ou armadilha de ciclo?

Polkadot hoje é o retrato clássico de um ativo que já foi “queridinho” do mercado e agora vive o outro lado do ciclo.

  • O preço está longe das máximas históricas;

  • O sentimento é morno;

  • O hype desapareceu.

E isso, por si só, não é negativo.

Ciclos funcionam assim: primeiro vem a narrativa, depois a euforia, depois a frustração, e, só então o mercado separa o que era excesso do que tem fundamento real.

No caso da Polkadot, os fundamentos técnicos continuam de certo modo sólido, mas . A arquitetura é robusta, o time é respeitado, a proposta de interoperabilidade faz sentido estruturalmente.

O problema nunca foi tecnologia em si.

O desafio sempre foi adoção, tração e relevância dentro de um mercado que hoje valoriza:

  • Simplicidade;

  • Liquidez;

  • Ecossistemas que já concentram usuários.

Infelizmente, a Polkadot não vem mais em uma boa jornada:

E você, ainda acredita no projeto para o futuro? Muito falavam sobre sua filosofia, mas hoje… nem ouvimos mais falar.

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