Dessa vez, quando ouvi a palavra KAITO, eu não pensei em nenhuma criptomoeda.

Mas lembrei do Kaito de Hunter X Hunter:

Só que na real, não tinha nada a ver, então, vamos entender o que essa cripto focada em IA tem de funcional e se vale ou não a pena.

Será que é tão valiosa quanto o anime?

Vamos entender:

No meio do grande mar de narrativas de inteligência artificial e cripto, a Kaito surge com uma proposta no mínimo ousada.

Em vez de ser só mais uma ferramenta de análise, ela quer ser a interface entre você e tudo que importa, isso é, notícias, fóruns, pesquisas, social, tokens, influenciadores.

Mas aí vem a pergunta que vale mais do que qualquer whitepaper bem escrito: isso tudo funciona mesmo?

Ou estamos diante de mais um projeto que empilha buzzwords como "AI", "SocialFi", "tokenização de atenção" e espera que o hype faça o resto?

Vamos olhar com calma. Porque aqui a gente separa o que é marketing da prática.

Afinal, o que é a Kaito?

A Kaito se informar como uma plataforma de inteligência artificial voltada para o universo cripto.

A proposta é organizar, filtrar e dar sentido ao caos de informações espalhadas por redes sociais, fóruns, whitepapers e documentos técnicos do mercado.

Pensa na Kaito como um “Google da Web3”, só que com IA integrada.

A promessa é entregar, em tempo real, insights relevantes sobre projetos, tokens, comunidades e tendências, tudo isso de forma personalizada e com análises mais inteligentes do que uma simples busca manual.

O conceito que sustenta o projeto é o de InfoFi (Information Finance), que trata a informação como um ativo valioso e transacionável dentro de um ecossistema.

Isso inclui:

  • Criadores que produzem conteúdo relevante,

  • Usuários que consomem e compartilham,

  • Marcas que se posicionam,

  • E o token KAITO como combustível de toda essa dinâmica.

Até aqui, parece interessante. Se a Kaito entregar o que promete, pode sim ter valor.

Mas... a gente vai ver logo mais que, entre a proposta e a prática, tem um certo abismo, especialmente quando o assunto é descentralização, usabilidade e diferencial competitivo.

O que o Kaito entrega na prática?

Na teoria, a Kaito quer ser um hub de inteligência cripto.

Na prática, o projeto foi construído em três pilares principais: Kaito Pro, Kaito Yaps e Kaito Connect.

Cada um desses nomes sofisticados representa uma camada daquilo que a plataforma entrega hoje.

Vamos destrinchar:

1. Kaito Pro – A "IA que lê o mercado"

Essa é a ferramenta mais robusta da plataforma.

Funciona como um buscador turbinado por IA que vasculha milhares de fontes: Twitter, fóruns de governança, podcasts, relatórios técnicos, e por aí vai. Ele oferece:

  • Pesquisa inteligente (MetaSearch)

  • Análise de sentimento

  • Alertas personalizados

  • Painéis de dados em tempo real

  • Biblioteca de áudios transcritos

  • Agenda de catalisadores (eventos relevantes para projetos)

A promessa é boa. Mas ainda não está clara a real vantagem competitiva sobre outras soluções de analytics cripto, como Messari, Delphi, Arkham ou até o Nansen.

O visual agrada, a centralização de dados também, só fica o ponto: será que é suficiente para escalar como infraestrutura padrão de mercado?

2. Kaito Yaps – O “token da atenção”

Aqui entra um experimento mais ousado: transformar atenção em ativo.

O Yaps tenta quantificar influência e engajamento, recompensando criadores com base em métricas mais elaboradas do que curtidas ou retweets.

É como se o Kaito dissesse: "Vamos medir o quanto o seu conteúdo realmente movimenta a conversa cripto e te pagar por isso."

Na prática, parece uma fusão entre SocialFi e proof-of-attention. A ideia é boa, mas exige uma base de usuários engajada e, principalmente, credibilidade na medição de impacto.

Algo que ainda está longe de ser consenso, mesmo entre projetos maiores do setor.

3. Kaito Connect – A camada social e comercial

Essa parte conecta usuários, criadores e marcas num ecossistema onde tudo (teoricamente) é medido, ranqueado e recompensado.

O foco aqui é facilitar o tráfego de atenção e capital entre os envolvidos, e tornar isso transparente.

Tem leaderboard, launchpad de conteúdo e análise de comportamento de audiência.

Parece um LinkedIn cripto com IA, onde você é ranqueado pelo conteúdo que gera. Interessante, mas ainda longe de ser “game changer”.

Tokenomics do Kaito: recompensa ou ilusão de engajamento?

A ideia principal é tokenizar a atenção e criar uma economia onde quem contribui com valor é recompensado.

Mas quando a gente desce do marketing para a prática, como falamos no início, tudo muda:

O token KAITO tem múltiplas funções: governança, pagamento, incentivo e recompensa. Tudo junto, misturado.

E embora isso possa parecer eficiente, também pode indicar uma arquitetura inflada demais para sustentar o próprio valor no longo prazo…

Boa parte da narrativa gira em torno dos chamados “Yaps”, que seriam uma forma “justa” de medir atenção e influência, usando sinais sociais e sem depender só de curtidas.

Parece moderno, mas segue deixando o controle na mão de quem define as métricas e opera os algoritmos. A descentralização aqui é prometida, mas ainda não é realidade.

Além disso, a distribuição inicial de tokens levanta alertas:

  • 32,2% para crescimento de ecossistema e parcerias (inclusive com Binance).

  • 25% para o time fundador.

  • 8,3% para investidores iniciais.

  • Apenas 10% foi alocado para a comunidade.

Ou seja, quase metade do supply está nas mãos da fundação e dos insiders.

Isso levanta a dúvida, será que os incentivos são realmente para descentralizar ou só para manter o controle disfarçado de “participação”?

O gráfico de liberação de tokens mostra um desbloqueio constante até 2029, com um crescimento especialmente agressivo nos dois primeiros anos. Como pode ver no gráfico acima.

Se o protocolo não gerar demanda real e utilidade contínua, o risco é claro, os incentivos acabam funcionando só como uma versão cripto dos sistemas de “likes por dinheiro”.

E nesse cenário, o preço do token vira só um reflexo da especulação sobre atenção, e não da construção de algo sustentável.

Narrativa da Kaito: o hype da IA em busca de atenção

A Kaito surfa duas das maiores ondas narrativas dos últimos anos: IA e SocialFi.

Mas que vem em queda, ultimamente.

E não dá pra negar, isso chama atenção.

Mas será que o projeto entrega mais do que apenas um bom discurso?

No papel, ela se posiciona como uma plataforma de InfoFi, um termo novo que mistura dados, inteligência artificial e finanças descentralizadas.

A ideia é simples (e ambiciosa): transformar informação e atenção em ativos. Quem cria conteúdo, compartilha ou interage, ganharia tokens por isso.

O problema? A narrativa é moderna, mas não necessariamente nova.

Projetos como Lens, CyberConnect e Rally já tentaram transformar engajamento em valor.

Muitos atraíram creators e prometeram revolução. Poucos sobreviveram ao ciclo de hype.

E o que travou esses projetos não foram só a tecnologia, mas a dificuldade de converter atenção em retenção e, mais ainda, em valor sustentável de mercado.

A Kaito ainda está em fase inicial, tem muitooo pra crescer ainda.

Por enquanto, o que sustenta a narrativa é mais o contexto do mercado, com IA e busca por plataformas “inteligentes” em alta, do que uma adoção real significativa.

A dúvida que fica é se a Kaito está criando uma nova categoria… ou apenas reciclando ideias antigas com uma embalagem mais técnica?

Vale a pena ficar de olho na Kaito?

A Kaito é aquele tipo de projeto que, à primeira vista, impressiona: mistura IA, narrativa de SocialFi, promessa de recompensa por engajamento, tokenomics gamificado, dashboards elegantes e até um nome forte o suficiente pra soar global.

Mas quando a gente vai mais fundo, surgem os questionamentos.

Fora que o seu token vem corrigindo fortemente há um tempo…

Sim, a ideia de “tokenizar a atenção” é interessante.

Mas ela também já foi testada, e, na prática, é difícil manter um modelo sustentável de incentivo quando o engajamento não se traduz em uso real ou geração de valor direto.

O Kaito Pro é útil? Pode ser.

Os painéis de dados são bons? São.

Mas quantas pessoas estão de fato usando essas ferramentas?

Quantos desses insights geram receita?

E o mais importante: existe demanda orgânica ou o movimento ainda é mantido à base de airdrop farming, hype e marketing?

Além disso, o ecossistema de InfoFi ainda está nascendo.

Kaito pode até liderar esse início, mas o que impede que outras ferramentas maiores (como o próprio Google com IA) entrem nesse jogo e dominem?

A descentralização ajuda, mas não garante tração se não houver diferencial competitivo claro.

Então, não, não tem sido um token promissor, tenha cuidado.

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