O token AAVE está cotado a US$ 112, com um market cap de US$ 1,7 bilhão.

O all time high foi de US$ 661 e nunca mais voltou perto disso, estamos falando de uma queda de 83% em relação ao topo.

E isso num cenário onde o protocolo acaba de atingir US$ 1 trilhão em volume acumulado de empréstimos, mantém US$ 26,2 bilhões em TVL e gerou US$ 89 milhões em fees nos últimos 30 dias.

Os números de uso crescem. O preço do token, não.

E aí surge a pergunta: o que está acontecendo?

Neste conteúdo, vamos analisar o protocolo por completo.

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O que é a Aave (AAVE)?

Aave é um protocolo DeFi que permite empréstimos e financiamentos de cripto sem a necessidade de intermediários tradicionais.

Seu principal diferencial está na oferta de empréstimos colateralizados: o usuário pode depositar criptomoedas como garantia (colateral) e tomar emprestado outro ativo diretamente na blockchain, sem depender de instituições bancárias.

Da mesma forma, quem deposita seus criptoativos no protocolo recebe juros em troca de prover liquidez.

Aave significa "fantasma" em finlandês, uma referência ao objetivo do protocolo: tornar-se uma infraestrutura invisível, mas essencial para o sistema financeiro descentralizado.

Além de ser amplamente auditado, a Aave inovou ao criar recursos como empréstimos instantâneos (flash loans) e taxas de juros variáveis e estáveis, oferecendo flexibilidade a usuários de diferentes perfis.

Como funciona o protocolo Aave?

O funcionamento básico é bem simples, entenda:

  • Fornecedores de liquidez depositam seus ativos em “pools” e recebem em troca tokens aTokens, que rendem juros.

  • Tomadores de empréstimo podem pegar emprestado esses ativos, desde que depositem garantias maiores do que o valor solicitado.

  • As taxas de juros são dinâmicas e ajustadas com base na oferta e demanda de cada ativo.

Um dos grandes diferenciais da Aave é o modelo de empréstimos com taxa estável, o que dá previsibilidade para quem toma crédito, algo incomum em protocolos DeFi.

Além disso, ela foi a primeira em introduzir:

  • Empréstimos relâmpago (flash loans): empréstimos sem garantia que precisam ser pagos na mesma transação, usados por arbitradores e desenvolvedores.

  • Delegação de crédito: onde um usuário com boa reputação pode “emprestar” sua capacidade de endividamento para terceiros.

  • Suporte multichain: está presente em diversas L2s e outras L1s, como Avalanche, com bilhões de dólares em valor travado somando todas.

Com isso, a Aave se posiciona não apenas como um protocolo, mas como infraestrutura base para o ecossistema DeFi.

Fora a sua companhia bem completa em várias outras atividades.

De onde vem a receita da Aave?

  • Juros de empréstimos: a principal fonte. Tomadores pagam juros variáveis ou estáveis, e parte desse fluxo vai para o tesouro da DAO.

  • Flash loans: cobram uma taxa sobre cada operação. Muito utilizados por arbitradores e bots.

  • Taxas de liquidação: quando posições são liquidadas por falta de colateral, o protocolo cobra uma penalidade.

  • Protocol fees (swap fees): taxas geradas pelo frontend oficial (aave.com) e operações na interface.

  • Horizon: plataforma permissionada lançada em agosto de 2025 para instituições, que permite tomar emprestado stablecoins usando como colateral ativos do mundo real tokenizados (RWAs), como títulos do Tesouro. Empresas como VanEck, WisdomTree e Securitize participam. O TVL do Horizon está em torno de US$ 500 milhões.

  • Programa de buyback: US$ 50 milhões anuais em recompra de tokens AAVE usando receita do protocolo. Mais de 94.000 AAVE já foram retirados de circulação desde abril de 2025.

Além disso, uma proposta recente chamada "Aave Will Win" propõe que 100% da receita de todos os produtos da Aave Labs vá direto para o tesouro da DAO.

Em troca, a Aave Labs pede um financiamento de até US$ 42,5 milhões em stablecoins + 75.000 AAVE. Essa proposta está em votação e gerou bastante debate na comunidade.

Aave V4: já em operação

A Aave V4 foi lançada em fevereiro de 2026, após meses de testnet, auditorias e hardening de segurança.

A principal mudança é a arquitetura "Hub and Spoke":

  • O Hub é uma camada central de liquidez em cada blockchain, concentrando os ativos.

  • Os Spokes são mercados especializados que puxam liquidez do Hub, cada um com parâmetros de risco próprios.

Isso resolve a fragmentação de liquidez entre redes. Em vez de pools isolados em cada blockchain, o V4 unifica tudo.

Além disso, o V4 trouxe:

  • Novo motor de liquidação redesenhado.

  • Migração de aTokens (rebasing) para o padrão ERC-4626, que facilita integrações, contabilidade e compatibilidade com outros protocolos DeFi.

  • Melhorias de gas e novas opções de colateral.

  • A base para produtos como linhas de crédito com RWAs e savings.

Foi também lançado o Aave Pro, uma interface redesenhada voltada para usuários avançados.

Agora, o ponto de atenção é que o V4 acabou de ser entregue, mas a BGD Labs (principal time de engenharia) anunciou saída com contrato encerrando em abril de 2026, ou seja, o protocolo acaba de ganhar uma nova arquitetura, mas vai precisar de novos responsáveis para manter e evoluir essa base.

Isso é um risco real.

Riscos da Aave

E falando em riscos, vamos entender os principais:

  • Saída da BGD Labs: o principal time de engenharia anunciou saída em fevereiro de 2026, com contrato encerrando em abril. A justificativa foi que problemas de governança estão impedindo o desenvolvimento sustentável. Isso preocupa justo no momento em que o V4 precisa ser entregue.

  • Conflito de governança: a proposta de financiamento da Aave Labs gerou uma disputa aberta. A Aave Chan Initiative (ACI) publicou um documento questionando a transparência, apontando que a Labs já recebeu cerca de US$ 86 milhões no total e que parte da receita de swap fees (US$ 5,5 milhões) foi redirecionada sem votação da comunidade. Projetos como Lens Protocol, Family Wallet e Sonar foram listados como descontinuados.

  • Risco de smart contract: com US$ 26 bilhões em TVL, qualquer exploit teria consequências sérias.

  • Receita vs. incentivos: apesar da receita crescente, a rentabilidade líquida ainda é apertada quando se descontam os incentivos.

  • Descolamento preço x fundamentos: o protocolo apresenta métricas de uso crescentes, mas o token não reage. Essa desconexão pode persistir.

  • Volatilidade: queda de 83% do ATH. Métricas de uso não garantem preço.

Desse modo, é importante entender que nem tudo são flores

Tokenomics da Aave: poucos tokens, muito poder

A estrutura de tokenomics da Aave é simples, mas poderosa e traz três grandes funções para o token AAVE: governança, segurança do protocolo e vantagens para usuários.

A distribuição é extremamente enxuta: o total de tokens é fixado em 16 milhões de AAVE, sendo 13 milhões em circulação e 3 milhões sob controle da DAO, para decisões de longo prazo.

Essa escassez absoluta é um dos grandes diferenciais do projeto.

Governança ativa e descentralizada

Quem possui AAVE tem poder de voto sobre atualizações no protocolo, parâmetros de risco, novos mercados e até lançamentos como a GHO.

A governança é descentralizada e com boa participação da comunidade, o que ajuda a manter o protocolo adaptável e seguro.

Vantagens e escassez como motores de valor

Além do stake e da governança, o AAVE também é usado para acessar vantagens dentro do ecossistema, como taxas reduzidas e participação em novas propostas.

Mas o grande motor de valorização vem mesmo da escassez combinada com o crescimento do protocolo.

Com a expansão do DeFi, se o AAVE continuar sendo um token útil e requisitado para decisões e segurança, essa oferta limitada pode se traduzir em valorização.

O que acompanhar daqui pra frente:

A Aave tem números de uso consistentes e receita real.

Mas o token não acompanha, e os problemas internos de governança, a saída do principal time de engenharia e as disputas sobre distribuição de receita mostram que métricas de uso não são suficientes quando a casa está dividida.

Uso real e receita real existem. Mas isso, por si só, não garante retorno. Precisa se validar no tempo, e o momento atual exige cautela.

Fique de olho nos dados on-chain, não nas narrativas.

Até a próxima análise, se quiser sugerir o próximo token, deixa nos comentários e irei avaliar a possibilidade, abraços! 🖖

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