Vamos começar a na análise da Cardano pelo seu gráfico (porque ele é honesto):

  • Ago/2021: ADA em R$ 14,84

  • Hoje: R$ 2,12

Queda de ~86% do topo nos últimos 5 anos…

Isso não significa “projeto morto”, e sim, significa “projeto que foi precificado como vencedor… antes de provar que realmente era, você entende?

E aí vem a parte que incomoda: Cardano é grande demais pra ser ignorada, mas lenta demais pra ser consenso.

Vamos entender na análise de hoje se ela vale a pena!👇👽

O que é a Cardano e o que ela tenta resolver?

Cardano é uma L1 de smart contracts (tipo Ethereum), criada com um objetivo muito específico de construir uma base mais segura e previsível para aplicações financeiras e governança on-chain.

A “marca” dela sempre foi:

  • Proof of Stake desde cedo

  • método acadêmico / pesquisa

  • upgrades por fases (eras)

  • governança como parte do desenho

Isso atrai dois perfis:

  1. O investidor que gosta de tese longa

  2. O usuário que quer estabilidade e previsibilidade

E afasta um terceiro:

  1. o mercado que quer produto agora

O detalhe técnico que define tudo (e quase ninguém entende): eUTXO

O modelo de execução da Cardano não segue a “lógica Ethereum” de contas.

Ela usa eUTXO, que muda a forma como contratos e transações são desenhados.

O lado bom:

  • mais previsibilidade

  • menos “surpresa” no estado

  • um caminho mais natural pra segurança e validação

O lado ruim:

  • construir DeFi fica mais complexo

  • a UX tende a ser menos intuitiva

  • copiar padrões que funcionam em EVM não é plug-and-play

Por que a queda foi tão brutal? (e por que isso não é “só o mercado”)

A queda de R$ 14,84 pra R$ 2,12 tem três camadas.

1) Altcoin não é só uma correção

Quando o ciclo vira, o dinheiro foge de risco.

BTC e ETH viram porto, e o demais do mercado se torna um verdadeiro deserto.

E Cardano, por ser uma alt grande, sofre com força:

  • entra muito capital no hype

  • sai rápido quando o hype morre

2) Em 2021 o mercado comprou “futuro”

O topo de 2021 foi o mercado precificando:

  • smart contracts maduros

  • explosão de apps

  • DeFi gigante

  • “Ethereum killer”

Só que o mundo real é mais lento que o preço. Quando a entrega não acompanha o múltiplo, o mercado faz o que sempre faz: desconta expectativas e reage diretamente no seu preço.

3) Competição mudou de nível

Enquanto Cardano refinava arquitetura, outros ecossistemas viraram shopping center:

  • stablecoins profundas

  • DEX com volume

  • perps

  • lending

  • UX simples

  • incentivos agressivos

Cardano ficou com a melhor tese… e um ecossistema menor do que a fama sugere.

Isso destrói múltiplo.

Tokenomics da ADA:

Agora a parte que separa análise de torcida.

1) Supply máximo existe (isso é positivo)

A ADA tem marketcap limite máximo de emissão de 45 bilhões de tokens. Isso cria uma narrativa de escassez melhor do que tokens “infinitos”.

No entanto, o número é altamente alto, e ele por si só não resolve tudo, o ponto mais importante é o aumento de demanda, e isso é extremamente necessário.

2) Staking é o coração do sistema (e do valuation)

A ADA é usado para:

  • taxas

  • staking (segurança)

  • governança

E o staking é forte, com uma cultura de delegação grande.

Só que o ponto-chave é este: o yield do staking não nasce do nada, ele vem de:

  • taxas da rede

  • emissão/recompensas programadas

E ao longo do tempo, a tendência natural é:

  • menos dependência de “estoque de recompensa”

  • mais dependência de uso real (fees)

Se a rede não crescer em atividade econômica, o “atrativo estrutural” do staking perde força.

3) Tesouraria e governança:

Parte do fluxo do sistema alimenta tesouraria. Isso é bom porque:

  • cria orçamento nativo para o ecossistema

  • permite financiar dev, infra, grants e iniciativas

Mas também cria risco:

  • política

  • burocracia

  • captura por grupos

  • decisões lentas

4) Captura de valor do token

A ADA captura valor quando:

  • a rede é usada (fees)

  • o ecossistema retém capital (liquidez)

  • apps geram atividade (volume)

  • stablecoins e DeFi ganham escala

O que ela não tem como pilar:

  • “engenharia de burn” agressiva para empurrar preço

O tokenomics depende de economia on-chain e vamos combinar que sem economia, o token é somente mais uma tese.

Existe desenvolvimento ainda hoje?

Sim e a cobrança aumenta em 2026, a Cardano não parou, só que 2026 não vai premiar “work in progress”… é resultado na mesa e pronto.

O que está por vir (em termos de direção) tende a girar em quatro eixos:

1) Governança mais completa

A tese é colocar governança e orçamento on-chain como algo “adulto” e operacional.

Se isso funcionar, Cardano ganha um diferencial real: coordenação de longo prazo.

Se isso travar, vira: política, fricção, lentidão.

2) Escalabilidade e performance

O objetivo é aumentar throughput e melhorar experiência sem sacrificar descentralização.

O mercado só vai reconhecer isso quando virar:

  • transação mais fluida

  • app mais rápido

  • custo e UX competitivos

  • volume real subindo

3) Infra para facilitar desenvolvimento

Uma parte do “atraso” da Cardano sempre foi tooling e complexidade.
Se a rede quer ganhar dev mindshare, tem que tornar o caminho mais simples:

  • SDKs

  • padrões

  • UX de wallet

  • experiência de contrato

4) Expansão por frentes paralelas

Cardano também acredita em iniciativas “satélites” pra puxar narrativa e casos de uso novos.

Isso pode trazer capital e atenção.
Ou pode dispersar ainda mais foco, se a L1 não virar “inevitável”.

Riscos (sim, tem que ter e aqui é onde mora o valor da análise)

1) Risco de execução

A Cardano pode continuar entregando… mas tarde demais. Em cripto, o mercado premia: quem entrega, captura liquidez e com real usabilidade.

2) Risco competitivo

Hoje, a concorrência não é “outra L1”.

É ecossistema completo:

  • stablecoin forte

  • DEX com liquidez profunda

  • perps e lending grandes

  • UX simples

  • incentivo claro

Cardano precisa competir com isso no mundo real, não no discurso.

3) Risco de economia on-chain fraca

Se stablecoins não crescem, DeFi fica limitado. Sem DeFi forte:

  • pouco volume

  • pouco fee

  • pouca razão econômica pra capital grande ficar

A tese enfraquece por dentro.

4) Risco de mercado (o óbvio que mais machuca)

ADA é altcoin.

Se o mercado ficar risk-off:

  • ela cai mais que BTC/ETH

  • e a recuperação depende de liquidez voltar com força

Cardano vale a pena para 2026?

O gráfico não está mostrando “um projeto que morreu”, está mostrando um projeto que foi precificado como inevitável… antes de ser inevitável.

Cardano ainda pode reprecificar forte?

Poder, sempre pode… mas a condição não é “mais uma era no roadmap”. A condição é crescimento de economia on-chain.

Em 2026, a Cardano precisa provar uma coisa simples: não basta ser a blockchain certa, tem que ser a blockchain usada.

Se ela entregar isso, o mercado volta com respeito. Mas sinceramente não é o que parece…

E você, ainda acredita no projeto para o futuro?

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