Enquanto o investidor se contenta com taxas mais baixas ou um swap bem-sucedido, bots e validadores diminuem cada transação em busca de oportunidades para lucrar às custas do usuário…

Isso tem nome: MEV (Miner Extractable Value), uma das distorções, de certo modo, lucrativas (e invisíveis) do ecossistema.

É nesse cenário que surgem determinados protocolos, como o CoW Protocol, uma infraestrutura silenciosa, mas que está crescendo aos poucos.

O CoW não é “mais uma DEX”. Ele representa uma mudança do que temos atualmente, isso é, menos competição por blocos, mais eficiência e, teoricamente mais proteção ao usuário.

Mas o que exatamente é o CoW Protocol? Como ele funciona? E será que ele é um protocolo subvalorizado do ciclo?

Vamos por partes.

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O que é o CoW Protocol e qual problema ele tenta resolver?

A lógica por trás do protocolo é “simples”, em vez de enviar ordens diretamente para uma DEX (como Uniswap ou Sushiswap), o usuário envia sua intenção de troca para o CoW.

A partir disso, a transação é agrupada com outras ordens similares e resolvida de forma conjunta, buscando o melhor preço disponível entre múltiplas fontes de liquidez.

Isso é possível por conta dos dois mecanismos principais:

  • Batch settlement: combina várias ordens em um único bloco, o que reduz competição por prioridade (e, teoricamente, evita front-running).

  • Solvers: operadores independentes que competem entre si para executar essas ordens da forma mais vantajosa, seja por meio de DEXs existentes ou de forma peer-to-peer (CoWs, "Coincidence of Wants").

O protocolo se posiciona como uma camada neutra entre usuários e a infraestrutura DeFi, prometendo eficiência e segurança superiores às DEXs tradicionais.

Mas o ponto-chave é: nem tudo que promete eficiência elimina as distorções.

O modelo dos "solvers", por exemplo, abre margem para novas formas de extração de valor, um tema que vamos já entender.

Como o CoW Protocol funciona na prática, e quem são os solvers?

Na superfície, a proposta do CoW Protocol é tornar as negociações mais eficientes ao agrupar ordens e buscar liquidez entre múltiplas fontes, como Uniswap, Balancer e Curve.

Mas a camada realmente inovadora, e também delicada, está nos solvers…

Quem são os solvers?

Os solvers são agentes independentes que competem para encontrar a melhor forma de executar as ordens recebidas.

Eles podem combinar ordens internamente (entre usuários com interesses opostos), buscar liquidez na melhor DEX ou executar estratégias complexas de arbitragem.

Essa disputa teórica entre solvers deveria garantir o melhor preço possível para o usuário.

Mas esse “ideal competitivo” depende de quem são esses solvers, como operam e quais incentivos têm.

Riscos: o MEV não desaparece, ele muda de lugar…

Ao tirar o poder de extração de valor dos validadores (que normalmente priorizam transações pagando mais taxas) e repassar para os solvers, o CoW Protocol tenta eliminar um tipo de MEV.

Porém, isso não significa que o problema foi resolvido. Até meio que longe disso…

Em vez do validador extrair valor reorganizando a ordem das transações em bloco, agora os solvers disputam entre si para capturar oportunidades, e, dependendo do desenho da arquitetura, a extração pode acontecer de forma mais sutil.

Além disso, alguns solvers podem desenvolver algoritmos mais rápidos ou ter acesso a fluxos de ordem preferenciais, criando um ambiente assimétrico, em que o MEV persiste, mas se torna mais opaco.

Em outras palavras, o protocolo reduz a exposição ao front-running tradicional e à corrida por taxas, mas não elimina o risco de manipulação.

Ele apenas desloca o ponto crítico para uma nova camada.

Por que o CoW Protocol pode estar sendo ignorado?

Em vez de captar usuários finais diretamente, o CoW se posiciona como uma camada intermediária de execução para outras DEXs e agregadores. Isso significa que, muitas vezes, o trader nem percebe que está usando o CoW, mas pode está.

O mercado ainda não precifica esse papel

Apesar do crescimento, o token COW segue com baixa valorização, baixo volume negociado e sem grande hype no Twitter ou no Telegram.

E isso levanta uma questão interessante:

Será que ele não tem a possibilidade de crescimento que o projeto tenta emplacar?

Se a tese de modularização e foco em infraestrutura se confirmar (como vimos em casos como Chainlink ou EigenLayer), protocolos como o CoW podem até ganhar protagonismo, mas até o momento é bem difícil de perceber isso na prática.

E como sempre trazemos em nossas análises, PROJETO É DIFERENTE DE MARKETING.

Mas essa valorização depende de um gatilho: percepção pública e captura de valor clara pelo token. O que não vem acontecendo…

Então meus defizeros, vamos ter sempre a famosa: CAUTELA.

O token COW vale a pena? Usos, captura de valor e pontos críticos da tokenomics

O token COW está no centro do protocolo, mas a relação entre sua utilidade e o crescimento da rede ainda levanta dúvidas.

Ao contrário de muitos tokens de DeFi que capturam valor diretamente via fees ou staking, o COW tem um modelo mais indireto, o que pode ser um problema no curto prazo.

Para que serve o token COW?

Hoje, o token tem três funções principais:

  1. Governança: permite votar em propostas e mudanças no protocolo.

  2. Recompensas para solvers: usuários que executam ordens otimizadas podem receber COW como incentivo.

  3. Participação em staking futuro: há planos para introduzir mecanismos de staking e slashing, mas ainda em desenvolvimento.

Na prática, a utilidade do token ainda é limitada, e grande parte do volume do CoW Protocol é gerado por integradores que nem sequer interagem com o COW como ativo.

Há captura de valor?

Hoje, não diretamente. O protocolo não distribui fees para holders e não há queima programada de tokens. Isso distancia o COW de modelos como o da GMX, Pendle ou até mesmo da Uniswap V3 com fee switches.

Enquanto o CoW cresce como infraestrutura, o token ainda não encontrou um caminho claro de valorização sustentável. É uma tese de valor mais "intencional" do que realizada.

Circulação e emissão

O token foi lançado sem hype exagerado, com uma oferta inicial de 1 bilhão de COW.

Atualmente, cerca de 10% está em circulação, o que levanta um ponto de atenção: grande parte da oferta ainda está para ser desbloqueada, o que pode pressionar o preço no médio prazo.

Essa baixa liquidez e alto potencial de diluição são fatores de risco para quem pensa em se expor cedo.

Vale a pena acompanhar o CoW Protocol? Riscos, catalisadores e conclusão da tese

O CoW Protocol é, sem dúvida, uma peça importante na evolução silenciosa da infraestrutura DeFi.

Em vez de disputar liquidez ou criar hype com yield alto, ele resolve um problema técnico real, a eficiência das execuções e a mitigação de MEV. Isso, por si só, já o torna diferente.

Mas o que está em jogo para quem considera investir ou acompanhar o protocolo mais de perto?

Riscos e desafios

  1. Concorrência brutal no setor: o espaço de DEXs e agregadores é lotado. Protocolos como 1inch, UniswapX e até soluções como Flashbots estão atentos ao mesmo problema, e talvez mais bem capitalizados ou mais conectados politicamente.

  2. Token ainda com pouco uso prático: a valorização do COW depende de um modelo de tokenomics que ainda está amadurecendo. Sem mecanismos fortes de captura de valor, a narrativa de investimento perde força.

  3. Vulnerabilidade estrutural ao MEV: apesar de ser uma das propostas de solução, o protocolo ainda depende de mecanismos externos (solvers, block builders) e pode sofrer se houver falhas ou exploração, como já ocorreu com outros players que tentaram inovar nessa camada.

  4. Ritmo lento de desenvolvimento e visibilidade: embora sólido tecnicamente, o CoW Protocol não tem marketing agressivo, e seu roadmap é discreto. Isso pode ser positivo para quem foca no longo prazo, mas é um desafio num mercado movido por ciclos e narrativas.

Catalisadores positivos

  1. Adoção institucional e integrações via backend: o CoW está ganhando tração como infraestrutura por trás de wallets, agregadores e outras DEXs.

  2. Nova tokenomics ou planos de staking/slashing: atualizações nos incentivos do token COW, como distribuição de parte das fees ou uso obrigatório em execuções, podem gerar nova onda de atenção.

  3. Crescimento do mercado de intent-based protocols: se a tese de “intent-centric design” (como UniswapX, Anoma, Anvil etc.) continuar se provando mais eficiente que o modelo tradicional de ordens, o CoW já está posicionado como pioneiro.

Um projeto para acompanhar, não para se empolgar

O CoW Protocol não é um foguete pronto para decolar.

É uma infraestrutura técnica, com proposta sólida e execução silenciosa. Seu potencial está no longo prazo, especialmente se o ecossistema DeFi continuar buscando eficiência e proteção ao usuário.

Mas, do ponto de vista de investimento, o token ainda não tem tração suficiente para ser considerado um dos destaques do ciclo atual.

Há riscos estruturais, concorrência forte e pouca clareza sobre sua valorização.

Tem de certo modo a tese interessante, projeto sério, mas ainda subvalorizado por bons motivos… É o famoso pode ser bom, mas tem riscos.

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