
Em meio a tantas novas blockchains surgindo, a Berachain vem chamando atenção.
Com uma proposta ousada de integrar liquidez, consenso e governança de uma forma inédita, ela quer resolver alguns problemas antigos do DeFi e, de quebra, ainda abrir espaço para novos modelos de incentivos.

Triplo token, Proof of Liquidity, apps nativos... a arquitetura da Berachain tem sido pensada para um ecossistema que valoriza eficiência e liquidez.
Mas será que toda essa estrutura é mesmo um avanço prático? Ou estamos vendo mais um projeto que depende de narrativa para decolar?
Vamos mergulhar nos detalhes e descobrir o que é inovação e o que ainda é só teoria.
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Qual a história da Berachain?
Recentemente, começou a ganhar forma como um projeto inspirado em comunidades cripto e memes literalmente.
Se você já viu ursos polares vestindo óculos escuros por aí, provavelmente já esbarrou com a estética da Berachain…

Mas por trás do visual descontraído, a proposta era séria de criar uma blockchain focada em liquidez e inovação para DeFi.
O projeto é construído no Cosmos SDK, mas com uma execução EVM-equivalente, ou seja, totalmente compatível com aplicações Ethereum, facilitando MUITO a vida de devs.
Ao invés de repetir o que já existe, a Berachain propôs algo diferente:
Um modelo de consenso próprio chamado Proof of Liquidity (PoL);
Uma arquitetura de três tokens para separar funções de rede, governança e stablecoin;
Incentivos nativos para DEX, empréstimos e mercados de futuros.
Tudo isso embalado em uma narrativa forte: “recompensar quem de fato ajuda a blockchain a prosperar”.
E quem está por trás da Berachain?
Os fundadores da Berachain são conhecidos por se esconder atrás de pseudônimos ligados à estética dos memes, como D1GIT4L e Smokey The Bera.
Eles são figuras populares do meio cripto, especialmente entre colecionadores de NFTs e traders ativos no universo DeFi.
Além disso, a Berachain foi impulsionada por investimentos de fundos conhecidos, como:
Polychain Capital
Hack VC
Shima Capital
O que ajuda a explicar o hype em torno do projeto, mas também levanta uma bandeira amarela: boa parte da narrativa inicial veio mais da comunidade e do marketing do que de resultados concretos até aqui.
Mas... será que a execução vai acompanhar o discurso?

A arquitetura da Berachain: o que tem de diferente no projeto?
Por baixo do marketing colorido e dos memes de ursos, a Berachain tenta misturar o que deu certo em várias frentes cripto: Cosmos, Ethereum e DeFi.
Na prática, ela é uma blockchain de camada 1, compatível com EVM, ou seja, qualquer dApp ou contrato que roda no Ethereum consegue rodar aqui sem adaptação.
Isso facilita muito para novos projetos migrarem ou testarem a Berachain.
Só que o grande “diferencial” mesmo é a camada de consenso chamada BeaconKit.
Aqui, eles não usam só o Proof-of-Stake tradicional.
A Berachain adiciona um ingrediente novo: o Proof of Liquidity (PoL).

A ideia é simples no papel é além de fazer staking de tokens, validadores precisam também prover liquidez para o ecossistema.
Quem ajuda a encher as pools de liquidez da rede ganha mais influência na validação dos blocos.
É uma tentativa inteligente de resolver um dos problemas mais crônicos das novas blockchains, como, lançar uma rede sem liquidez suficiente.

Agora... se essa ideia vai funcionar na prática, é outra história.
Ainda não vimos o modelo PoL rodando em um ambiente de alta escala. Existe o risco de concentração, isso é, se poucas baleias dominarem a liquidez, podem também dominar o consenso.
No papel, a Berachain é interessante. Na vida real... o tempo e a adoção vão dizer.

O tripé da Berachain: BERA, BGT e HONEY
A Berachain não se contentou em criar apenas um token, ela montou um verdadeiro tripé para tentar sustentar o ecossistema: o BERA, o BGT e o HONEY.
Cada um tem uma função específica:
BERA é o token de gás. É ele que você vai usar para pagar taxas de transação, semelhante ao ETH no Ethereum. Também é o token que os validadores precisam para participar da rede.
BGT é o token de governança. Só que aqui tem um detalhe interessante: ele é um soulbound token — ou seja, ele não pode ser transferido. Você ganha BGT como recompensa se for um participante ativo da rede (fornecendo liquidez, usando apps nativos, etc). Mas se quiser trocar BGT por BERA, pode fazer isso numa via única (não dá pra voltar). Na prática, isso cria uma barreira para especulação fácil, mas também trava a liquidez natural do token de governança.
HONEY é a stablecoin do ecossistema, supostamente lastreada 1:1 com o dólar. Ela serve como moeda neutra para trocas, empréstimos e trading dentro da Berachain.
Ponto de atenção:
Essa divisão tripla parece bem pensada na superfície, mas traz uma complexidade extra que o usuário comum talvez não queira lidar.
Em redes mais maduras, a tendência recente é simplificar o máximo possível a interação para ganhar adoção (vide Solana, Base, Arbitrum...).
Se a Berachain perder a confiança em algum momento, o tripé pode virar um castelo de cartas e desmoronar.

Todo projeto que sonha em dominar o DeFi precisa de um DEX pra chamar de seu.
A Berachain não pensou diferente e criou o BEX.
A promessa? Uma experiência de trading mais rápida, barata e integrada ao tal Proof-of-Liquidity (PoL).
Mas na prática… será que é mesmo?
O que tem de diferente?
O BEX usa um sistema de liquidez "ambiental", onde você fornece liquidez pra toda a curva de preço, sem precisar ficar escolhendo faixa como na Uniswap V3.
A vantagem é que, teoricamente, fica mais fácil para qualquer um adicionar liquidez. Você não precisa ser trader, analista ou entender ticks, ranges, nada disso.
Ok. E agora o lado que ninguém gosta de falar:
Essa ideia de "liquidez global" não é tão nova. Ambient Finance (Crocswap) já fazia algo parecido.
Simplificar para o usuário comum é ótimo. Mas traders mais técnicos podem achar o BEX travado, já que falta controle fino de onde alocar a liquidez.
E como boa parte da liquidez está lá pra farmar BGT (o token de governança), e não pra melhorar o trading, a qualidade da liquidez ainda é uma incógnita.
No fim das contas?
O BEX é interessante, principalmente por estar amarrado ao PoL.
Mas sem volume real, sem traders de verdade e sem liquidez qualificada, ele corre o risco de virar "mais um DEX bonito no papel, vazio na prática".

Tokenomics da Berachain: inovador ou inflacionário?
O tokenomics da Berachain é dividido entre três ativos ($BERA, $BGT e $HONEY), mas o que importa de verdade para análise financeira é:
Quem controla a emissão de tokens? Quem tem poder? E existe pressão vendedora embutida?
Vamos lá:
1. Distribuição inicial e incentivo
$BERA é usado para taxas de rede.
$BGT é o "poder de voto", ganho por participar da rede, mas não é vendível diretamente (soulbound).
$HONEY é a stablecoin, lastreada por colateral.

Problema:
A maior parte da emissão inicial de $BERA e da influência sobre a rede vai para validadores e grandes fornecedores de liquidez. Ou seja, quem domina a liquidez, domina a Berachain.
Isso centraliza o poder, ainda que o discurso seja de “descentralização por liquidez”.
2. Emissão e inflação oculta
$BGT é emitido constantemente para recompensar liquidez.
$BERA é o ativo de staking e de pagamento.
A emissão constante de $BGT (mesmo sendo soulbound) desvaloriza a participação antiga. E não impede inflação real, porque:
Quem ganha BGT pode converter para BERA (1:1).
Depois, vende o BERA no mercado.
Resumo: o $BGT vira $BERA → e o $BERA vira venda de mercado.
Isso cria uma pressão vendedora sobre o token nativo.
Exatamente o que acontece com muitas redes que dependem de farming eterno para sobreviver (tipo Fantom, Harmony, etc).
3. Risco de dependência de incentivos
Enquanto a recompensa for alta (muito BGT/Bera sendo distribuído), a liquidez continua.
Se as recompensas caírem, ou o preço do $BERA cair forte, a liquidez sai da rede.
É um risco estrutural:
O tokenomics não cria retenção orgânica de usuários, só de farmers. Se um concorrente pagar mais, a liquidez migra rapidinho.
Em resumo
Ponto | Análise crítica |
|---|---|
Distribuição | Grandes players dominam a liquidez e a governança. |
Emissão | Emissão constante de $BGT gera venda de $BERA indireta. |
Pressão de venda | Existe e pode ser alta no médio/longo prazo. |
Dependência de incentivo | Alto. Sem rewards, a liquidez evapora. |
Sustentabilidade | Só vai sobreviver se DApps úteis surgirem rápido. |

E o preço? Onde pode chegar?
No cenário atual, Berachain ainda é uma promessa.
O preço por sinal não tem ido tão bem ao olharmos no zoom out.

Investir na Berachain nos primeiros meses será menos sobre fundamentos e mais sobre acertar o timing do mercado o que, para a maioria, é quase sempre uma armadilha.
Então, é muito importante ter cautela no token.

Berachain é só marketing ou tem algo real?
A Berachain, sem dúvida, é um dos projetos que precisa se desenvolver muito.
Até pode ser bom, mas tem riscos…
A proposta de Proof-of-Liquidity, os três tokens e a cultura de comunidade fazem parecer que eles realmente aprenderam com erros de outras redes.
Mas entre a teoria e a prática existe um abismo gigante.
O projeto ainda não passou pelo teste da realidade.
Sim, o potencial existe. Mas, como já vimos dezenas de vezes em cripto, potencial sem execução vira hype vazio.
Pra quem está de olho no projeto, o conselho é simples: fique atento, acompanhe de perto a adoção real e o desenvolvimento da rede.
O próximo ano vai dizer se a Berachain será protagonista... ou só mais um nome no museu das blockchains esquecidas.
Ela tem apenas 2 meses.
E, caso você queira aprender mais a analisar bons tokens e ruins, se inscreva para a aula gratuita que teremos no dia 15 de maio às 19:00.

