Existe um dinheiro que deveria ser seu, mas você nunca viu…

Se você segura USDC na carteira, seja na MetaMask, na corretora, em qualquer lugar, aquele dólar digital está lastreado em Treasuries americanos que rendem 4-5% ao ano.

Só que esse rendimento não vai pra você, costuma ir para Circle, a empresa que emite o USDC.

A conta é simples, US$ 50 bilhões em USDC em circulação, lastreados em Treasuries a 5%, geram cerca de US$ 2,5 bilhões por ano em juros. A Circle fica com tudo e o holder recebe zero… (você).

E isso não é por ganância, e sim, por regulação.

Enquanto isso, protocolos DeFi pagam 5-8% ao ano pelo mesmo USDC, e, stablecoins sintéticas.

Essa é a guerra silenciosa pelo yield que ninguém fala, e que está sendo decidida agora mesmo nos bastidores de Washington. 🖖👇

Mas, afinal, como o USDC funciona?

Sinceramente, é bem simples.

Pra cada dólar de USDC emitido, a Circle mantém um dólar real em reserva.

Essas reservas ficam em Treasuries americanos de curto prazo, que são basicamente, títulos de dívida do governo dos EUA, considerados os ativos mais seguros do mundo.

Esses títulos rendem juros ,e, esses juros vão integralmente para a Circle.

A maioria das pessoas que segura USDC nem sabe que esse yield existe, usa como dólar digital, faz transferências, deixa parado na carteira, e não percebe que está sentado em cima de um rendimento que alguém está coletando por elas…

Por que a Circle não repassa o rendimento, e agora é lei

Até pouco tempo, era uma questão regulatória cinzenta, mas agora é lei.

O GENIUS Act, assinado em julho de 2025, criou o primeiro marco regulatório federal para stablecoins nos Estados Unidos.

E trouxe uma regra clara: emissores de stablecoins são proibidos de pagar qualquer forma de juros ou yield aos holders.

A lógica por trás é proteger o sistema bancário, se stablecoins pagassem juros competitivos com contas bancárias, as pessoas poderiam migrar seus dólares dos bancos para stablecoins.

Isso reduziria os depósitos que financiam empréstimos e, em teoria, prejudicaria a economia.

Em termos práticos, se a Circle pagasse yield no USDC, a stablecoin deixaria de ser classificada como "dinheiro" e viraria algo parecido com um depósito bancário com rendimento.

E se USDC vira depósito, a Circle vira banco, com exigências de capital mínimo, seguro de depósitos, auditorias mais rigorosa, ou seja, custos de centenas de milhões por ano.

A Circle fez o cálculo. Não faz sentido financeiramente.

A brecha que está sendo disputada agora

O GENIUS Act proíbe o emissor de pagar yield, mas não proíbe explicitamente que intermediários, como exchanges e plataformas, ofereçam programas de recompensa usando essas stablecoins.

É exatamente isso que a Coinbase faz, por exemplo: ela oferece rendimento sobre USDC mantido na plataforma, como um programa de rewards.

Só que em fevereiro de 2026, o OCC (órgão regulador de bancos nos EUA) publicou uma proposta de 376 páginas tentando fechar essa brecha.

A proposta cria uma "presunção de evasão" quando empresas ligadas ao emissor oferecem yield por fora, isso ameaça diretamente o modelo de negócio de plataformas como a Coinbase.

E alguns dias atrás, a Casa Branca entrou no debate…

Um estudo do Conselho de Consultores Econômicos mostrou que proibir yield em stablecoins aumentaria os empréstimos bancários em apenas US$ 2,1 bilhões, um aumento de 0,02%.

E o custo para os consumidores?

US$ 800 milhões em perdas de rendimento que poderiam estar recebendo.

O estudo basicamente diz: a proibição protege pouco os bancos e custa caro para os usuários… a batalha pelo yield está acontecendo agora, em tempo real, nos bastidores de Washington.

O que o DeFi faz diferente?

Enquanto essa briga regulatória se desenrola, os protocolos DeFi já resolveram o problema, à sua maneira.

Plataformas como Aave, Compound e Morpho funcionam assim:

O usuário deposita USDC no protocolo, e esse USDC é emprestado para traders, hedge funds e liquidadores. Os tomadores pagam juros, geralmente entre 5-8% ao ano.

O protocolo fica com uma fatia pequena e repassa o resto para quem depositou.

Isso funciona legalmente porque o ato de emprestar é voluntário e mediado por um protocolo aberto, o GENIUS Act, inclusive, exclui explicitamente protocolos descentralizados da regulação, pelo menos por enquanto.

A lei prevê um estudo futuro para avaliar se DeFi deve ser enquadrado da mesma forma.

Mas o risco existe… não se engane.

Se o protocolo sofrer um hack ou se os tomadores de empréstimo não pagarem, o capital pode não estar lá. O rendimento de 5-8% existe justamente porque há risco envolvido, diferente de um Tesouro americano, não há garantia governamental.

Existem também stablecoins como o sUSDe da Ethena, que oferece atualmente cerca de 3,5% ao ano, um rendimento que já chegou a 29% no pico do ciclo, mas que caiu junto com o mercado.

O yield do sUSDe depende das funding rates de derivativos, então varia conforme as condições de mercado. Quanto mais alavancagem no mercado, maior o rendimento. Em bear market, como agora, o rendimento comprime.

Cada opção tem seu nível de risco e entender isso é fundamental antes de tomar qualquer decisão.

O que vem pela frente?

Três coisas estão acontecendo ao mesmo tempo:

  1. A Casa Branca questionou a eficácia da proibição de yield, com dados concretos mostrando que ela não protege os bancos de forma relevante. Isso pode pressionar revisões na legislação.

  2. O OCC está tentando fechar a brecha dos intermediários, o que pode impactar diretamente plataformas como a Coinbase. A proposta está em período de comentários públicos e ainda precisa ser finalizada.

  3. O Digital Asset Market Clarity Act, que está em tramitação, pode ampliar ou restringir as regras sobre yield. A questão é um dos principais pontos de disputa entre o lobby cripto e o lobby bancário.

O cenário mais provável nos próximos meses: alguma forma de yield regulado vai surgir. Seja via intermediários autorizados, seja via novos produtos que se encaixem no framework legal.

O mercado é grande demais e a demanda é real demais para o rendimento ficar só nas mãos dos emissores.

Para quem quer entender mais a fundo

Esse tipo de análise, entender como o rendimento funciona no DeFi, quais os riscos reais, como usar stablecoins de forma inteligente e como se posicionar antes que as coisas aconteçam, é exatamente o que se aprende na comunidade do Defiverso.

Se você quer aprender a navegar esse mercado com estratégia e fundamento:

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