Esse título parece clickbait...

Mas a pergunta é real e faz total sentido.

E o pior: a maioria das pessoas responde com aquele papinho de “ah, se isso acontecer, os bancos quebram antes”.

Será mesmo?

É verdade que o sistema bancário também usa criptografia.

Mas tem um detalhe que muita gente ignora, é que os bancos são centralizados. Eles podem se adaptar, se atualizar rápido.

O Bitcoin, por outro lado, roda num protocolo descentralizado, em que qualquer mudança precisa passar por toda a comunidade.

Ou seja, se a computação quântica virar uma ameaça real amanhã, quem você acha que consegue reagir primeiro?

A verdade é que esse risco existe, sim. Não é coisa de ficção científica.

E se você investe em Bitcoin (ou em qualquer cripto), deveria pelo menos entender o que está em jogo aqui.

Mas fica tranquilo, a ideia não é fazer terrorismo, e sim te mostrar o que está acontecendo de verdade. Vamos entender a fundo 👇🖖

O que protege o Bitcoin hoje? Spoiler: é pura matemática.

Antes de entrar nos tais computadores quânticos, a gente precisa entender o que segura o Bitcoin de pé hoje: criptografia.

Criptografia, no fundo, é uma maneira de esconder informações.

Tal como era na época do Alan Turing, ele usava os primeiros computadores para compartilhar informações de forma codificada.

É como escrever uma mensagem secreta que só pode ser lida por quem tem a “chave certa”.

Isso não é novidade — o ser humano usa criptografia há séculos, desde mensagens em guerras até truques com fitas enroladas em bastões.

Mas no Bitcoin, a coisa ficou mais matemática.

E são dois sistemas principais que protegem tudo:

1. Criptografia de Curva Elíptica (ECDSA)

Calma, o nome assusta, mas a ideia é simples: com uma fórmula matemática, você gera dois pontos:

  • Chave privada (que você guarda com carinho)

  • Chave pública (que pode ser vista por todos)

Essa chave privada é a famosa seed phrase, ela é a origem de tudo.

A partir dela, se gera a chave pública.

E a partir da chave pública, se cria o endereço da sua carteira.

Você não precisa entender a equação em si, mas o ponto principal é: ninguém consegue voltar da chave pública para descobrir sua chave privada.

É isso que dá segurança pro seu Bitcoin.

Isso é o que a computação quântica ameaça quebrar (mas vamos chegar lá).

2. Hash SHA-256

Esse é o sistema que protege os blocos da blockchain e também ajuda a transformar a chave pública no endereço da sua carteira.

Funciona mais ou menos assim: você joga uma palavra, um número, qualquer informação dentro de uma função mágica chamada SHA-256…

E ela devolve um monte de números e letras embaralhados.

Tipo:

“raposa” → 3f3e7a… (etc)

Esse resultado é o hash.

Você consegue gerar um hash a partir da mensagem, mas não o contrário.

Ninguém consegue bater o olho no hash e descobrir a palavra original.

E por que isso importa?

Porque o SHA-256 é o que protege tanto os blocos minerados quanto o endereço da sua carteira.

É como um cadeado que só pode ser aberto se você tiver a chave certa, e hoje, mesmo com supercomputadores, ninguém consegue forçar esse cadeado.

Seria como tentar adivinhar uma senha de 256 dígitos aleatórios.

Levaria bilhões de anos.

Mas… e se surgisse uma máquina que quebrasse esse código em segundos?

Aí chegamos no próximo ponto: os computadores quânticos.

Computadores Quânticos: a ameaça que parece ficção, mas é real

Essa tecnologia já existe hoje, e mesmo que ainda esteja engatinhando, ela tem um potencial de destruir o que a gente conhece hoje como “seguro”.

E não é exagero.

A computação quântica é como trocar uma bicicleta por um foguete: ela resolve problemas matemáticos que os computadores clássicos levariam séculos, em apenas alguns segundos.

E é aqui que o problema começa…

O algoritmo de Shor: o terror das curvas elípticas

O algoritmo de Shor já conseguiu quebrar números pequenos usando computadores quânticos.

E se ele for escalado, pode quebrar a criptografia de curva elíptica usada nas carteiras do Bitcoin.

Traduzindo: se um computador quântico suficientemente poderoso rodar esse algoritmo, ele consegue descobrir sua chave privada a partir da sua chave pública.

E lembra o que a gente falou antes?

Sua chave pública pode ficar exposta na blockchain depois que você faz uma transação.

Isso significa que:

  • Se você nunca usou sua carteira, sua chave pública ainda está protegida.

  • Mas se você já enviou Bitcoin daquela carteira, a chave pública foi exposta... e virou vulnerável a esse tipo de ataque.

Mais assustador: as carteiras antigas, como as do Satoshi, já têm a chave pública visível desde sempre.

Tem cerca de 1 milhão de BTC parados lá. E se alguém conseguir quebrar, vira o maior roubo da história.

E aí, meu amigo, o computador quântico só precisa de tempo (e muito poder de fogo) pra quebrar.

Olha como é a tecnologia:

O algoritmo de Grover: o acelerador de ataques

Já o algoritmo de Grover é um pouco menos assustador, mas também perigoso.

Ele não quebra diretamente o SHA-256, mas reduz pela metade o tempo necessário para tentar adivinhar o hash por força bruta.

Isso não é o suficiente para quebrar o Bitcoin hoje, mas acelera bastante a possibilidade no futuro.

Mas já dá pra ficar com medo?

Calma.

Ainda não temos computadores quânticos com capacidade suficiente pra isso.

Os mais avançados hoje mal passam de 1.000 qubits — e seriam necessários milhões de qubits estáveis para de fato quebrar a criptografia do Bitcoin.

Ou seja: é uma ameaça real, mas de longo prazo.

Mas ela existe. E fingir que não é nada seria ingenuidade.

Agora, você pode estar se perguntando:

E a galera do Bitcoin? Está fazendo alguma coisa a respeito?

Spoiler: sim, já tem desenvolvedores se mexendo. E, acredito que irá funcionar muito bem ao longo do tempo.

O BTC pode atualizar e sem dúvidas irá.

Atualizar o Bitcoin não é tão simples

Qualquer mudança precisa de consenso da comunidade.

E isso leva tempo — às vezes anos.

Mas já tem movimento acontecendo.

E isso é importante.

Propostas já estão sendo estudadas

Alguns desenvolvedores estão trabalhando em formas de deixar o Bitcoin resistente à computação quântica.

Os destaques:

  • BIP 360: propõe novos tipos de endereços que usam criptografia “pós-quântica” (resistente aos algoritmos como o de Shor).

  • KAMP (Quantum Resistant Address Migration Protocol): é um protocolo que permitiria aos usuários migrarem suas moedas para endereços mais seguros, antes que seja tarde.

  • Assinaturas Falcon: um tipo de assinatura digital resistente a ataques quânticos — já está sendo estudada para integrar essas soluções.

Então... o Bitcoin vai morrer por causa da computação quântica?

Olha, não é o fim do mundo.

Mas também não é algo pra ignorar, como vimos ao longo do texto.

A computação quântica é real, os algoritmos que ameaçam o Bitcoin já existem, e sim: um dia, a capacidade dessas máquinas pode crescer o suficiente pra colocar o protocolo em risco.

Mas esse “dia” ainda está longe.

Estamos falando de décadas.

Ainda são necessários milhões de qubits funcionais pra que esses ataques sejam viáveis, e a tecnologia atual não chegou nem perto disso com estabilidade.

O lado bom?

O Bitcoin tem tempo pra se adaptar, e já tem gente trabalhando nisso agora.

O lado ruim?

Como tudo no Bitcoin precisa de consenso e tempo, é importante começar a agir muito antes da ameaça ficar próxima.

A lição pra quem investe é simples:

Não subestime o risco. Mas também não caia no pânico.

A computação quântica é uma ameaça legítima, mas o ecossistema está se preparando.

E, se fizer isso bem, pode sair até mais forte no fim.

Então, fica tranquilo e deixe sua avaliação se gostou! Até a próxima!🖖

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